Comissão Nacional da Verdade e regime militar: representações sociais de estudantes universitários

Karen Sibila Strobel Moreira Weimer, Denize Cristina Oliveira

Resumo


Este estudo teve como objetivo analisar as representações sociais construídas por estudantes universitários acerca da Comissão Nacional da Verdade e do regime militar brasileiro, bem como verificar as aproximações entre estas representações. A amostra foi composta por 200 estudantes. Os instrumentos de coleta de dados foram: questionário de dados sócio demográficos; questionário de evocação livre de palavras aos estímulos “CNV” e “regime militar”. Os dados foram submetidos a análise estrutural  das representações sociais com auxílio do software Evoc 2005. Os resultados indicam que uma representação se ancora na outra, mas que se tratam de representações autônomas. A representação da CNV possui características predominantemente humanista, representada pelo elemento “necessário-verdade”. Enquanto a representação do regime, essencialmente negativa, com característica ideológica representada pelo elemento “ditadura”. Os dados demonstraram a importância atribuída pelo grupo ao resgate da memória de violações de direitos humanos ocorridas no país naquele período. 

Palavras-chave


Comissão da Verdade, Regime Milita, Representações Sociais

Texto completo:

PDF

Referências


Abric, J.-C. (2003). Abordagem estrutural das representações sociais: desenvolvimentos recentes. In P. H. F. Campos & M. C. S. Loureiro (Org.). Representações sociais e práticas educativas. Goiânia: UCG.

Accorssi, A., Scarparo, H., & Guareschi, P. (2012). A naturalização da pobreza: reflexões sobre a formação do pensamento social. Psicologia e Sociedade, 24(3), 536-546. doi: https://doi.org/10.1590/S0102-71822012000300007

Arnoso, M., Cárdenas, M., & Páez, D. (2012). Diferencias intergeneracionales en la mirada hacia el pasado represivo chileno. Psicología Política, 45, 7-26.

Brasil. (2015). Comissão nacional da verdade: relatório

final. Recuperado de: Acesso em: 12 jun.

Canabarro, I. (2014). Caminhos da comissão nacional da verdade (CNV): memórias em construção. Seqüência, 69, 215-234. https://doi.org/10.5007/2177-7055.2014v35n69p215

Daltoé, A. S. (2016). A comissão nacional da verdade e suas ressonâncias nos documentários da verdade. Linguagem em (Dis)curso 16(1), 153-167. https://doi.org/10.1590/1982-4017-160108-4215

Delfino, E. L. C. (2014). Representações sociais de três gerações acerca da ditadura militar e da comissão da verdade (Dissertação de mestrado). Departamento de psicologia, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil.

Flament, C. (2001). Estrutura e dinâmica das representações sociais. In D. Jodelet (Ed.), As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUerj.

Hayner, P. B. (2001). Unspeakable truths: confronting state terror and atrocity. New York: Routledge. https://doi.org/10.4324/9780203903452

Jodelet, D. (2001). As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUerj.

Mezarobba, G. (2009). O que é justiça de transição? Uma análise do conceito a partir do caso brasileiro. In: I. Soares & S. Kishi (Coord.). Memória e verdade: a justiça de transição no Estado democrático brasileiro. Belo Horizonte: Fórum.

Melo, S. (2016). A possibilidade da educação jurídica numa perspectiva humanista. Resenha Eleitoral 20(1), 201-220.

Moscovici, S. (2012). A psicanálise, sua imagem e seu público. (S. Fuhrmann, Trad.). Petrópolis: Vozes.

Oliveira, D. C., Marques, S. C., & Tosoli, A. M. (2005). Análise das evocações livres: uma técnica de análise estrutural das representações sociais. In: A. S. Paredes (Org.). Perspectivas Teórico-Metodológicas em representações sociais. João Pessoa: Universitária UFPB.

Sá, C. P. (1996). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.

Sá, C. P. (2015). Estudos de psicologia social: história, comportamento, representações e memória. Rio de Janeiro: EdUerj.

Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., & Carvalho, V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia, 26(2), 159-171. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2009000200004

Tavares, A. R., & Agra, W. M. (2009). Justiça reparadora no Brasil. In: I. V. P. Soares & S. A. S. Kishi (Coord.). Memória e verdade: a justiça de transição no estado democrático brasileiro. Belo Horizonte: Fórum.

Vergès, P. (1992). L’évocation de l’argent: une méthode pour la definition du noyau central de la représentation. Bulletin de Psychologie, 45(405), 203-209.

Weber, M. H. (2000). Comunicação e espetáculos da política. Porto Alegre: Universidade UFRGS.

Wolter, R. P., Wachelke, J. F. R., Sá, C. P., Dias, P., & Naiff, D. G. M. (2015). Temporalidade e representações sociais: estabilidade e dinâmica dos elementos ativados pelo regime militar brasileiro. Psychologica, 58(1), 107-125. https://doi.org/10.14195/1647-8606_58-1_6




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2020.1.32419

e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.