Avaliação e intervenção no transtorno da compulsão alimentar (tca): uma revisão sistemática

Giovanna Nunes Cauduro, Janaína Thaís Barbosa Pacheco, Gabriel Machado Paz

Resumo


O transtorno da compulsão alimentar (TCA) é descrito no DSM-V como episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos, seguidos por desconforto físico, sofrimento emocional e sensação de perda de controle. Este artigo objetivou identificar as características metodológicas dos estudos, descrever as técnicas de intervenção e os instrumentos de avaliação utilizados no tratamento do TCA. Foi conduzida uma revisão sistemática da literatura de estudos empíricos nacionais e internacionais, utilizando as bases de dados Lilacs e Scielo, PubMed, PsycInfo e Science Direct para consulta. Foram encontrados 176 artigos, dos quais 33 preencheram os critérios de inclusão. A Terapia Cognitiva Comportamental apareceu com maior frequência. Os principais instrumentos utilizados para avaliação deste quadro foram o Eating Disorder Examination (EDE) e o Escala de Depressão de Beck (BDI). A partir dos resultados, foi possível identificar uma tendência de mudança quanto à abordagem utilizada, concomitante à necessidade de avaliação de comorbidades do quadro.


Palavras-chave


Intervenção psicológica; Avaliação; Compulsão alimentar; Transtornos alimentares.

Texto completo:

PDF

Referências


American Psychatric Association. (1994). Diagnostic and Statistcal Manual Of Mental Disorders, (DSM-IV), Washington, DC, American Psychatric Association, 1994.

American Psychiatric Association. (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: texto revisado (DSM-IV-TR). Artmed.

American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5). Porto Alegre: Artmed.

Boggiano, M. M., Wenger, L. E., Burgess, E. E., Tatum, M. M., Sylvester, M. D., Morgan, P. R., & Morse, K. E. (2017). Eating tasty foods to cope, enhance reward, socialize or conform: What other psychological characteristics describe each of these motives? Journal of health psychology, 22(3), 280-289.

https://doi.org/10.1177/1359105315600240

Chen, E. Y., Cacioppo, J., Fettich, K., Gallop, R., McCloskey, M. S., Olino, T., & Zeffiro, T. A. (2017). An adaptive randomized trial of dialectical behavior therapy and cognitive behavior therapy for binge-eating. Psychological medicine, 47(4), 703-717.

https://doi.org/10.1017/S0033291716002543

Ciarrochi, J., Bilich, L., & Godsel, C. (2010). Psychological flexibility as a mechanism of change in Acceptance and Commitment Therapy. In Ruth Baer’s (Ed). Assessing Mindfulness and Acceptance: Illuminating the Processes of Change (pp. 51-76). New Harbinger Publications, Inc.: Oakland, CA.

Cooper, Z. & Fairburn, C. (1987). The eating disorder examination: A semi-structured interview for the assessment of the specific psychopathology of eating disorders. International Journal of Eating Disorders, 6(1), 1-8.

https://doi.org/10.1002/1098-108X(198701)6:1<1::AID-EAT2260060102>3.0.CO;2-9

Duchesne, M., Appolinário, J. C., Rangé, B. P., Freitas, S., Papelbaum, M., & Coutinho, W. (2007). Evidências sobre a terapia cognitivo-comportamental no tratamento de obesos com transtorno da compulsão alimentar periódica. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 29(1), 80-92.

https://doi.org/10.1590/S0101-81082007000100015

Hudson JI, Hiripi E, Pope HG Jr, & Kessler R. C. (2007). The prevalence and correlates of eating disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Biological psychiatry, 61(3), 348-358.

https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2006.03.040

Jacobi F, Wittchen HU, Holting C, et al. (2004). Prevalence, co-morbidity and correlates of mental disorders in the general population: results from the German Health Interview and Examination Survey (GHS). Psychological Medicine, 34(4), 597-611.

https://doi.org/10.1017/S0033291703001399

Jansen, A. (2016). Eating disorders need more experimental psychopathology, Behaviour research and therapy, 86, 2-10.

https://doi.org/10.1016/j.brat.2016.08.004

Klump, K. L., Bulik, C. M., Kaye, W. H., Treasure, J., & Tyson, E. (2009). Academy for eating disorders position paper: Eating disorders are serious mental illnesses. International Journal of Eating Disorders, 42, 97-103.

https://doi.org/10.1002/eat.20589

Neumark-Sztainer D. & Hannan P. J. (2000). Weight-related behaviors among adolescent girls and boys: results from a national survey. Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, 154(6), 569-577.

https://doi.org/10.1001/archpedi.154.6.569

Nunes, R. M. (2013). Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) e a abordagem da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC). Retrieved from:

http://www.ufjf.br/renato_nunes/files/2013/01/Artigo-final-Transtornos-

Alimentares-0803.pdf.

Rosenberg, M. (1965). Rosenberg self-esteem scale (RSE). In Acceptance and commitment therapy: Measures package (61, 52). Retrieved from

http://www.integrativehealthpartners.org/downloads/ACTmeasures.pdf#page=61.

Safer, D. L., Couturier, J. L., & Lock, J. (2007). Dialectical behavior therapy modified for adolescent binge eating disorder: A case report. Cognitive and behavioral practice, 14(2), 157-167.

https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.06.001

Schulte, E. M., Grilo, C. M., & Gearhardt, A. N. (2016). Shared and unique mechanisms underlying binge eating disorder and addictive disorders. Clinical psychology review, 44, 125-139.

https://doi.org/10.1016/j.cpr.2016.02.001

Spitzer, R. L., Williams, J. B. W., Gibbon, M., & First, M. B. (1992). The Structured Clinical Interview for DSM-III-R (SCID). I: History, rationale, and description. Archives of General Psychiatry, 49, 624-629.

https://doi.org/10.1001/archpsyc.1992.01820080038006

Striegel-Moore, R. H. & Franko, D. L. (2008). Should binge eating disorder be included in the DSM-V? A critical review of the state of the evidence. Annu. Rev. Clin. Psychol., 4, 305-324.

https://doi.org/10.1146/annurev.clinpsy.4.022007.141149

Stunkard, A. J. (1959). Eating patterns and obesity. Psychiatric Quarterly, 33(2), 284-295.

https://doi.org/10.1007/BF01575455

Tafarodi, R. W. & Milne, A. B. (2002). Decomposing global self-esteem. Journal of Personality, 70, 443-483.

https://doi.org/10.1111/1467-6494.05017

Treasure, J., Claudino, A. M., & Zucker, N. (2010). Eating disorders. The Lancet, 375, 583-593.

https://doi.org/10.1016/S0140-6736(09)61748-7

Wang, Y-P., Argimon, I. I. L., & Werlang, B. S. G. (2011). BDI-II: Inventário de Depressão de Beck II [Manual]. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Wilfley, D. E., Bishop, M. E., Wilson, G. T., & Agras, W. S. (2007). Classification of eating disorders: Toward DSM-V. International Journal of Eating Disorders, 40(S3).

https://doi.org/10.1002/eat.20436

Williams, J. B. W., Gibbon, M., First, M. B., Spitzer, R. L., Davies, M., Borus, J., Howes, M. J., Kane, J., Pope, H. G., & Rounsaville, B. (1992). The Structured Clinical Interview for DSM-III-R (SCID) II. Multi-site test-retest reliability. Archives of General Psychiatry, 49, 630-636.

https://doi.org/10.1001/archpsyc.1992.01820080038006

Wright, R. W., Brand, R. A., Dunn, W., & Spindler, K. P. (2007) How to Write a Systematic Review. Clinical Orthopaedics And Related Research, 455, 23-29

https://doi.org/10.1097/BLO.0b013e31802c9098

Yager, J. & Powers, P. S. (2009). Manual Clínico dos Transtornos da Alimentação. Artmed.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2018.4.28385

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.