O convívio de adolescentes em medida socioeducativa de internação com a equipe técnica

Vinicius Coscioni, Bruno Graebin de Farias, Agnaldo Garcia, Edinete Maria Rosa, Sílvia Helena Koller

Resumo


O objetivo deste artigo é caracterizar o convívio de adolescentes em medida socioeducativa de internação com a equipe técnica, a partir da perspectiva dos adolescentes. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez adolescentes, entre 16 e 18 anos, internos em uma unidade socioeducativa em Porto Alegre. Um diário de campo também foi preenchido a partir das idas a campo. Os dados foram tratados a partir de uma análise temática e interpretados com base na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano. A precariedade da infraestrutura, o número insuficiente de técnicos e a pressão do poder judiciário foram identificados como elementos contextuais que interferiam negativamente sobre os processos proximais entre adolescentes e técnicos. Ainda assim, verificaram-se elementos de reciprocidade e aprendizagem que indicavam o estabelecimento de processos proximais. Investimentos em recursos humanos e materiais e a regulamentação das demandas jurídicas podem favorecer o desenvolvimento de processos proximais entre adolescentes e equipe técnica.


Palavras-chave


Relações interpessoais; Adolescente em conflito com a lei; Medidas socioeducativas; Psicologia do desenvolvimento.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2018.2.27890

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