Construção da escala de motivos da procrastinação acadêmica

Gabriela Ballardin Geara, Nelson Hauck Filho, Marco Antonio Pereira Teixeira

Resumo


A procrastinação acadêmica é uma forma de adiamento da realização de tarefas acadêmicas que pode ser prejudicial aos estudantes. Este trabalho busca construir e investigar evidências de validade e fidedignidade da Escala de Motivos da Procrastinação Acadêmica, que avalia a percepção de universitários sobre a frequência de sua procrastinação em tarefas acadêmicas e os motivos associados a ela. Após a construção dos itens e análise semântica por juízes, foi avaliada a relação entre motivos e uma série de variáveis externas, incluindo tarefas mais procrastinadas, conscienciosidade, depressão, impulsividade e gênero. A amostra foi composta por 604 estudantes de graduação e a coleta de dados foi online. Uma análise fatorial exploratória ordinal revelou uma estrutura de dois fatores oblíquos subjacentes aos itens: procrastinação-ansiedade e procrastinação-desmotivação. Apesar do reduzido número de itens, ambos os fatores obtiveram níveis aceitáveis de fidedignidade e apresentaram um padrão similar de correlações com depressão (+) e conscienciosidade (-). Sugestões para estudos futuros são fornecidas.


Palavras-chave


motivação; atraso; estudante universitário

Texto completo:

PDF

Referências


Asún, R. A., Rdz-Navarro, K., & Alvarado, J. M. (2015). Developing multidimensional Likert Scales using item factor analysis: The case of four-point items. Sociological Methods & Research, 45(1). https://doi. org/10.1177/0049124114566716

Burka, J. B., & Yuen, L. M. (1983). Procrastination: Why you do it, what to do about it. Reading, MA: Addison-Wesley.

Carver, C. S. & White, T. L. (1994). Behavioral inhibition, behavioral activation and affective responses to impending reward and punishment: The BIS-BAS scales. Journal of Personality and Social Psychology, 67, 319-333. https://doi.org/10.1037/0022-3514.67.2.319

Cerino, E. S. (2014). Relationships between academic motivation, self-efficacy, and academic procrastination. Psi Chi Journal of Psychological Research, 19(4), 156-163. https://doi.org/10.24839/2164-204.JN19.4.156

Conceição, J. P. O. (2011). Personalidade e procrastinação em estudantes universitários. Dissertação de Mestrado, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa: Portugal.

Costa, M. (2007). Procrastinação, auto-regulação e gênero. Dissertação de Mestrado, Universidade do Minho, Guimarães: Portugal.

Chu, A. H. C. & Choi, J. N. (2005). Rethinking procrastination: positive effects of "active" procrastination behavior on attitudes and performance. The Journal of Social Psychology, 145, 245-264. https://doi.org/10.3200/SOCP.145.3.245-264

Effert, B. R. & Ferrari, J. R. (1989). Decisional procrastination: Examining personality correlates. Journal of Social Behavior and Personality, 4, 151-161.

Grunschel, C., Patrzek, J., & Fries, S. (2013a). Exploring reasons and consequences of academic procrastination: An interview study. European Journal of Psychology of Education, 28(3), 841-861. https://doi.org/10.1007/s10212-012-0143-4

Grunschel, C., Patrzek, J., & Fries, S. (2013b). Exploring different types of academic delayers: A latent profile analysis. Learning and Individual Differences, 23, 225-233. https://doi.org/10.1016/j.lindif.2012.09.014

Enumo, S. & Kerbauy, R. (1999). Procrastinação: Descrição de comportamentos de estudantes e transeuntes de uma capital brasileira. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 2, 125-135.

Hamasaki, E. I. M. & Kerbauy, R. R. (2001). Será o comportamento de procrastinar um problema de saúde? Revista Brasileira de Terapia Congitiva Comportamental, 3, 35-40.

Hauck-Filho, N. & Teixeira, M. A. P. (2011). A estrutura fatorial da Escala CES-D em estudantes universitários brasileiros. Avaliação Psicológica, 10, 91-97.

Hauck-Filho, N., Machado, W. L., Teixeira, M. A. P., & Bandeira, D. (2012). Marcadores reduzidos para a avaliação da personalidade em adolescentes. Psico-USF, 17(2), 253-261. https://doi.org/10.1590/S1413-82712012000200009

Hollender, M. H. (1965). Perfectionism. Comprehensive Psychiatry, 6, 94-103. https://doi.org/10.1016/S0010-440X(65)80016-5

Kerbauy, R. (2001). Análise funcional da preguiça e procrastinação. In R. C. Wielenska (Org.). Sobre cognição e comportamento: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contentos (pp. 63-69). Santo André, SP: ESETec Editores Associados.

Klingsieck, K. B. (2013). Procrastination: When good things don’t come to those who wait. European Psychologist, 18(1), 24-34. https://doi.org/10.1027/1016-9040/a000138

Lay, C. H. (1986). At last my research article on procrastination. Joumal of Research in Personality, 20, 474-495. https://doi.org/10.1016/0092-6566(86)90127-3

Lorenzo-Seva, U. & Ferrando, P. J. (2013). FACTOR 9.2: A comprehensive program for fitting exploratory and semiconfirmatory factor analysis and IRT models. Applied Psychological Measurement, 37(6), 497-498. https://doi.org/10.1177/0146621613487794

McCown, W., Johnson, J., & Petzel, T. (1989). Procrastination, a principal components analysis. Personality and Individual Differences, 10, 197-202. https://doi.org/10.1016/0191-8869(89)90204-3

Merce, C., Concepcion, G., M. del Mar, B., & Ramon, C. (2012). Procrastination and Cheating from Secondary School to University. Electronic Journal of Research in Educational Psychology, 10(2), 737-754.

O’Brien, W. K. (2002). Applying the transtheoretical model to academic procrastination. Tese de doutorado, University of Houston, Houston.

Ozer, B. U., Demir, A., & Ferrari, J.R. (2009). Exploring academic procrastination among Turkish students: Possible gender differences in prevalence and reasons. The Journal of Social Psychology, 149, 241-257. https://doi.org/10.3200/SOCP.149.2.241-257

Pychyl, T. A., Lee, J. M., Thibodeau, R., & Blunt, A. (2000). Five days of emotion: An experience sampling study of undergraduate student procrastination. Journal of Social Behavior and Personality, 15, 239-254.

Revelle, W. (2014). Psych: Procedures for personality and psychological research. R package version 1.4.3. CRAN Project. Retirado de: . Acessado em: 11 dez. 2015.

Sampaio, R. K. N. (2011). Procrastinação acadêmica e a autorregulação da aprendizagem em estudantes universitários. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP.

Sampaio, R. K. N.; & Bariani, I. C. D. (2011). Procrastinação Acadêmica: Um estudo exploratório. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 2(2), 242-262. https://doi.org/10.5433/2236-6407.2011v2n2p242

Schouwenburg, H. (1995). Academic Procrastination: Theoretical notions, measurement and research. In J. Ferrari, J. Johnson, & W. McCown, Procrastination and task avoidance: Theory, research and practice (pp. 71- 950). New York: Plenum Press. https://doi.org/10.1007/978-1-4899-0227-6_4

Sharma, M. & Kaur, G. (2011). Gender differences in procrastination and academic stress among adolescents. Indian Journal of Social Science Researches, 8(2), 122-127.

Silveira, D. X. & Jorge, M. R. (2000). Escala de Rastreamento Populacional para Depressão CES-D em populações clínicas e não clínicas de adolescentes e adultos jovens. In C. Gorestain, L. H. S. G. Andrade, & A. W. Zuarde (Orgs.). Escalas de avaliação clínica em psiquiatria e farmacologia (pp. 125-135). São Paulo: Lemos.

Solomon, L. & Rothblum, E. (1984). Academic procrastination: Frequency and cognitive-behavioural correlates. Journal of Counselling Psychology, 31(4), 503-509. https://doi.org/10.1037/0022-0167.31.4.503

Schouwenburg, H. (2004). Trait procrastination in academic settings: An overview of students who engage in task delays. In H. Schouwenburg, C. Lay, T. Pylchyl, & J. Ferrari (Eds.). Counselling the procrastinator in academic settings (pp. 3-18). Washington: American Psychological Association.

Steel, P. (2007). The nature of procrastination: A meta-analytic and theoretical review of quintessential self-regulatory failure. Psychological Bulletin, 133, 65-94. https://doi.org/10.1037/0033-2909.133.1.65

Steel, P. (2010). Arousal, avoidant and decisional procrastinators: Do they exist? Personality and Individual Differences, 48, 926-934.

Timmerman, M. E. & Lorenzo-Seva, U. (2011). Dimensionality assessment of ordered polytomous items with parallel analysis. Psychological Methods, 16(2), 209-220. https://doi.org/10.1037/a0023353

Watson, D. C. (2001). Procrastination and the five-factor model: a facet level analysis. Personality and Individual Differences, 30(1), 149-158. https://doi.org/10.1016/S0191-8869(00)00019-2

Zimmerman, B. J. & Schunk, D. H. (Eds.). (2001). Self-regulated learning and academic achievement: Theoretical perspectives. Mahwah, NJ: Erlbaum.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2017.2.24635

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-8623

ISSN-L: 0103-5371

*********************************

Este periódico é membro do COPE (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios. http://www.publicationethics.org

Licença Creative Commons

Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

Políticas Editoriais das Revistas Científicas Brasileiras. Disponibilidade para depósito: Azul.

 

 

Copyright: © 2006-2017 EDIPUCRS