Estresse em cuidadores de crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade

Ana Maria Del Bianco Faria, Carmen Lúcia Cardoso

Resumo


Objetivou-se avaliar o estresse, auto-percepção de estresse e de fatores estressantes em cuidadores de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Participaram 40 cuidadores, divididos em: Grupo clínico (G1) – 20 cuidadores de crianças diagnosticadas com TDAH; Grupo de comparação (G2) – 20 cuidadores de crianças sem TDAH. Utilizaram-se os instrumentos: Questionário de Capacidades e Dificuldades, Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, Questionário de Auto-Percepção de estresse. Os resultados apontaram percentual de cuidadores com indicadores de estresse significativamente maior no G1 do que encontrado no G2 (p = 0,001). No G1 houve maior percepção de estresse no convívio com a criança (p < 0,001), no cuidado com a criança (p < 0,001) e maior percepção de estresse (p = 0,003) quando comparados ao G2. Destaca-se a necessidade de cuidado ao cuidador, pois a vivência de estresse afeta a qualidade de vida, bem como a relação e o vínculo entre este e a criança.


Palavras-chave


Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade; Cuidadores; Estresse.

Texto completo:

PDF

Referências


American Psychiatric Association (2002). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (4ª ed., rev.) (DSM-IV-TR). Porto Alegre: Artmed.

Bargas, J. A. & Lipp, M. E. N. (2013). Estresse e estilo parental materno no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Psicologia Escolar e Educacional, 17(2), 205-213. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-5572013000200002

Bellé, A. H., Andreazza, A. C., Ruschel, J., & Bosa, C. A.(2009). Estresse e adaptação psicossocial em mães de crianças com Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Psicologia: Reflexão e Crítica, 22 (3), 317-325. http://dx.doi.org/10.1590/s0102-9722009000300001

Bianchi, E. & Faraone, S. A. (2015). El Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDA/H). Tecnologías, actores sociales e industria farmacêutica. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 25(1), 75-98.

Biscegli, T. S., Galego, A. R, Galdezzani, J. P., Faria, T. S., Galego, D. R. C., Felipe, B. (2013). Prevalência de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em pré-escolares de creches. Pediatria Moderna, 49(8), 330-336.

Caliman, L. V. (2008). O TDAH: entre as funções, disfunções e otimização da atenção. Psicologia em Estudo, 13(3), 559-566. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722008000300017

D'avila-Bacarji, K. M. G., Marturano, E. M., & Elias, L. C. S. (2005). Suporte parental: um estudo sobre crianças com queixas escolares. Psicologia em Estudo (Maringá), 10(1), 107-115. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722005000100013

Del Bianco Faria, A. M. & Cardoso, C. L. (2010). Aspectos psicossociais de acompanhantes cuidadores de crianças com câncer: stress e enfrentamento. Estudos de Psicologia (Campinas), 27(1), 13-20. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2010000100002

Estevam, M. C., Marcon, S. S., Antonio, M. M., Munari, D. B., & Waidman, M. A. P. (2011). Convivendo com transtorno mental: perspectiva de familiares sobre atenção básica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 45(3), 679-686. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000300019

Fleitlich-Bilyk, B. W. (2002). The prevalence of psychiatric disorders in 7-14-year olds in the southeast of Brazil [Tese de doutorado]. Londres: Department of Child and Adolescent Psychiatry. Institute of Psychiatry. King's College. London University.

Gonçalves, C. A. B. (2011). O acompanhamento terapêutico e a reforma psiquiátrica. In A. E. A. Antunez (Org.), Acompanhamento terapêutico: casos clínicos e teoria (pp. 21-40). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Goodman, R. (1997) The Strenghts and Difficulties Questionnaire: a research note. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 38(5), 581-586. http://dx.doi.org/10.1111/j.1469-7610.1997.tb01545.x

Hora, A. F., Silva, S., Ramos, M., Pontes, F., & Nobre, J. P. (2015). The prevalence of ADHD: a literature review. Psicologia, 29 (2), 47-62. http://dx.doi.org/10.17575/rpsicol.v29i2.1031

Lipp, M. E. N. (2000). Manual do Inventário de Sintomas de Stresse para adultos de Lipp (ISSL) – manual. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Lipp, M. E. N. & Malagris, L. N. (1998). Manejo do estresse. In B. Rangé (Org.), Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas (pp. 279-292). São Paulo: PSY.

Marini, A. M., Martins, M. R. I., Vigãno, A., Filho, A. B. M., & Pontes, H. E. R. (2010). Sobrecarga de cuidadores na psiquiatria infantil. Revista Neurociências, 18, 300-306. Recuperado de: http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2010/RN1803/477%20original.pdf

Narkunam, N., Hashim, A. H., Sachdev, M. K., Pillai, S. K., & Guan Ng, C. (2014). Stress among parents of children with attention deficit hyperactivity disorder, a Malaysian experience. Asia-Pacific Psychiatry, 6, 207-216.

Nunes, M. M. S. & Werlang, B. S. G. (2008). Transtorno de Déficit de Atenção/Hipertividade e Transtorno de Conduta: aspectos familiares e escolares. Conscientiae Saúde, 7, 207-216. http://dx.doi.org/10.5585/conssaude.v7i2.970

Oliveira, C. G. & Albuquerque, P. B. (2009). Diversidade de Resultados no Estudo do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25(1), 93-102. http://dx.doi.org/10.1590/s0102-7722009000100011

Pereira, I. S. A. & Silva, J. C. (2011). Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade à luz de uma abordagem crítica: um estudo de caso. Psicologia em Revista, 17(1), 117-134.

Petresco S., Anselmi L., Santos I. S., Barros A. J., Fleitlich-Bilyk B., Barros F. C., & Matijasevich, A. (2014). Prevalence and comorbidity of psychiatric disorders among 6-year-old children: 2004 Pelotas Birth Cohort. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 49, 975-83. http://dx.doi.org/10.1007/s00127-014-0826-z

Pires, T. de O., Silva, C. M. F. P. da, & Assis, S. G. de. (2012). Ambiente familiar e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Revista de Saúde Pública, 46(4), 624-633. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-9102012005000043

Regalla, M. A., Guilherme, P. R., & Serra-Pinheiro, M. A. (2007). Resiliência e transtorno do déficit de atenção/hiperatividade. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 56, 45-49. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852007000500010

Resta, D. G. & Motta, M. G. C. (2005). Família em situação de risco e sua inserção no programa de saúde da família:

uma reflexão necessária à prática profissional. Texto & Contexto Enfermagem, 14, 109-115. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072005000500014

Rodhe, L. A., Busnello, E. A., Chachamovitch, E., Vieira, G. M., Pinzon, V., & Kelzer, C. R. (1998). Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: revisando conhecimentos. Revista Brasileira de Psiquiatria, 20, 166-178.

Romagnoli, C. (2006). Famílias na rede de saúde mental: um breve estudo esquizoanalítico. Psicologia em Estudo, 11(2), 305-314. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000200009

Santos, A. F. O. & Cardoso, C. L. (2015). Family members of individuals suffering from mental disorders: stress and care stressors. Estudos de Psicologia (Campinas), 32(1), 87-95. http://dx.doi.org/10.1590/0103-166X2015000100008

Santos, L. F. & Vasconcelos, L. A. (2010). Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade em crianças: uma revisão interdisciplinar. Psicologia: Teoria e Pesquisa (Brasília), 26(4), 717-724. http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722010000400015

Schroeder, V. M. & Kelley, M. L. (2009) Associations between family environment, parenting practices, and executive functioning of children with and without ADHD. Journal of Child and Family Studies, 18(2), 227-35. http://dx.doi.org/10.1007/s10826-008-9223-0

Selye, H. (1956). The stress of life. New York: Longmans. Selye, H. (1983). The Stress Concept: past, present and future. In C. L. Cooper (Ed.), Stress research: issues for the eighties (pp. 1-20). USA: John Wiley & Sons.

Silva, F. M. & Correa, I. (2006). Doença crônica na infância: vivência do familiar na hospitalização da criança. REME Revista Mineira de Enfermagem, 10(1), 18-23.

Stone, R., Cafferata, G. L., & Sangl, J. (1987). Caregivers of the frail elderly: a national profile. The Gerontologist (Washington), 27(5), 616-626. http://dx.doi.org/10.1093/geront/27.5.616 Tabaquim, M. L. M. & Marquesini, M. A. M. (2013). Study of parentes of patients with cleft lip and palate in a surgical process. Estudos de Psicologia (Campinas), 30(4), 517-524. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2013000400005

Yousefia, S., Far, A. S., & Abdolahian, E. (2011). Parenting estresse and parenting styles in mothers of ADHD with mothers of normal children. Procedia – Social and Behavioral Sciences, 30, 1666-1671. http://dx.doi.org/10.1016/j.sbspro.2011.10.323




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2016.3.21479

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.