Construção e validação do Inventário de Estilos de Temperamento do Professor (ietp)

Cristina Maria D' Antona Bachert, Solange Muglia Wechsler, Wagner de Lara Machado

Resumo


O Inventário de Estilos de Temperamento do Professor (IETP) é um instrumento de autorrelato composto por quatro dimensões: Extrovertido-Introvertido, Prático-Imaginativo, Pensamento-Sentimento e Organizado-Flexível, que teve suas propriedades psicométricas avaliadas em dois estudos. O primeiro analisou as evidências de validade baseadas nos 40 itens construídos e contou com a participação de cinco pesquisadores da área de Avaliação Psicológica. O segundo investigou as evidências baseadas na estrutura interna do IETP, que foram avaliadas por meio da Análise Fatorial Exploratória com definição de quatro fatores e seus coeficientes de fidedignidade (F1 = 0,77; F2 = 0,80; F3 = 0,90; F4 = 0,70). Participaram deste estudo 400 professores que lecionavam no Ensino Fundamental II e Ensino Médio (média de idade = 41,1 anos, SD = 10,97). Uma análise de agrupamentos (Two-Step Cluster) identificou a presença de dois grupos: Catalizador (59,9%) e Compreensivo (40,1%). Conclui-se que o IETP possui qualidade científica para facilitar ao professor avaliar e aprimorar seu estilo pessoal de ensinar.


Palavras-chave


Temperamento; Estilos; Processo ensino-aprendizagem; Formação de professores.

Texto completo:

PDF

Referências


Albuquerque, C. (2010). Processo Ensino-Aprendizagem: Características do Professor Eficaz. Millenium, 39, 55-71.

Armstrong, S. J., Peterson, E. R., & Rayner, S. G. (2011). Understanding and defining “cognitive style” and “learning style”: a Delphi study in the context of Educational Psychology. Educational Studies, 38(4), 449-455. http://dx.doi.org/10.1080/03055698.2011.643110

Ávila, F. T. P. (2008). Estilos de Ense-anza de los Profesores de la Carrera de Psicología. REMO, V(13), 17-24.

Bayly, B. & Gartstein, M. (2013). Mother’s and father’s reports on their child’s temperament: Does gender matter? Infant Behavior & Development, 36(2013), 171-175. http://dx.doi.org/10.1016/j.infbeh.2012.10.008

Borgobello, A., Peralta, N., & Roselli, N. (2010). El estilo docente universitario en relación al tipo de clase y a la disciplina ense-ada. Libertabit, 16(1), 7-16.

Callueng, C. & Oakland, T. (2014). If you Do Not Know The Child’s Temperament You Do Not Know the Child. Estudos de Psicologia (Campinas), 31(1), 03-13. http://dx.doi.org/10.1590/0103-166X2014000100001

Canals, J., Hernández-Martínez, C., & Fernández-Ballart, J. D. (2011). Relationships between early behavioural characteristics and temperament at 6 years. Infant Behavior & Development Journal, 34, 152-160. http://dx.doi.org/10.1016/j.infbeh.2010.11.003

Cattani, D. (2010). Por uma pedagogia de pesquisa educacional e da formação de professores na universidade. Educar em Revista, 37, 77-92. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602010000200006

Classen, S., Nichols, A. L., McPeek, R., & Breiner, J. F. (2011). Personality as a predictor of driving performance: an exploratory study. Transportation Research Part F, 14, 381-389. [PSIC – Revista de Psicologia, Vetor Editora, 7(1), 29-38, jan./jun. 2006]. http://dx.doi.org/10.1016/j.trf.2011.04.005

Diçol, S., Temel, S., Oskay, Ö. Ö, Erdogan, U. M., & Yilmaz, A. (2011). The effect of matching learning styles with teaching styles on success. Procedia Social and Behavioral Sciences, 15, 854-858. http://dx.doi.org/10.1016/j. sbspro.2011.03.198

Evans, C. & Waring, M. (2009). The place of cognitive style in Pedagogy: realizing potential in practice. In Li-Fang Zhang & Robert J. Sternberg. Perspectives on the nature of intellectual styles (Cap. 7). New York: Springer Publishing Company.

Frazoni, A. L. & Assar, S. (2009). Student learning styles adaptation method based on teaching strategies and eletronic media. Educational Technology & Society, 12(4), 15-29.

Garcia, C. M. (1998). Pesquisa sobre a formação de professores: o conhecimento sobre aprender a ensinar. Revista Brasileira de Educação, 9, 51-75.

Guzzo, R. S. L., Riello, I. C., Primi, R., Serrano, M., Ito, P. C. P., & Pinho, C. C. M. (2004). Temperamento: Onze anos de levantamento no Psychological Abstracts. Rev. Estudos de Psicologia (Campinas), 21(1), 25-32. http://dx.doi.org/10.1590/s0103-166x2004000100002

Hair, J. F., Black, B., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R.L. (2009). Análise Multivariada de Dados. Trad. Adonai Schlup Sant’Anna. Porto Alegre: Bookman.

Ito, P. C. P. & Guzzo, R. S. L. (2002). Temperamento: Características e determinação genética. Psicologia: Reflexão e Crítica, 15(2), 425-436. http://dx.doi.org/10.1590/s0102-79722002000200019

Joyce, D. (2010). Essentials of Temperament Assessment. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, Inc.

Jung, C. G. (2011). Tipos Psicológicos (4ª ed.). Trad. Lúcia Mathilde Endlich Orth Petrópolis: Vozes.

Klein, V. C. & Linhares, M. B. M. (2007). Temperamento, comportamento e experiência dolorosa na trajetória de desenvolvimento da criança. Paidéia, 17(36), 33-44.

Klein, V. C. & Linhares, M. B. M. (2010). Temperamento e Desenvolvimento da Criança: Revisão Sistemática da Literatura. Psicologia em Estudo, 15(4), 821-829. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722010000400018

Lara, D. R., Bisol, L. W., Brunstein, M. G., Reppold, C. T., Carvalho, H. W. & Ottoni, G. L. (2012). The Affective and Emotional Composite Temperament (AFECT) model and scale: a system-based integrative approach. Journal of Affective Disorders, 140, 14-37. http://dx.doi.org/10.1016/j.jad.2011.08.036

Lee, D.H., Oakland, T. & Ahn, C. (2010). Temperament Styles of Children in South Korea and the United States. School Psychology International, 31(1), 77-94. http://dx.doi.org/10.1177/0143034309341621

Lima, L., Lemos, M.S. & Guerra, M.P. (2010). Adaptação do Inventário de Temperamento para Crianças em Idade Escolar – School-Age Temperament Inventory – SATI, de McClowry a uma população portuguesa. Psicologia, Saúde & Doenças, 11(1), 55-70.

Lorenzo-Seva, U. & Ferrando, P. J. (2006). FACTOR: A computer program to fit the exploratory factor analisys model. Behavior Research Methods, 38(1), 88-91. http://dx.doi.org/10.3758/BF03192753

McMahon, T. (2006). Teaching for more effective learning: seven maxims for practice. Radiography, 12, 34-44. http://dx.doi.org/10.1016/j.radi.2005.03.009

Muritiba, P. M., Casado, T., & Muritiba, S. N. (2010). Personalidade e preferencia por métodos de ensino: um estudo com graduandos em Administração. R. Adm. FACES Journal, 9(2), 65-85.

Nakano, T. C., Santos, E., Zavarize, S. F., Wechsler, S. M., & Martins, E. (2010). Estilos de pensar e criarem universitários das áreas de humanas e sociais aplicadas: diferenças por gênero e curso. Psicologia: Teoria e Prática, 12(3), 120-134.

Oakland, T., Glutting, J. J., & Horton, C. (1996). Student Styles Questionnaire. The Psychological Corporation, USA. Oakland, T., Pretorius, J. D., & Lee, D. H. (2008). Temperament Styles of Children from South Africa and the United States. School Psychology International, 29(5), 627-639. http://dx.doi.org/10.1177/0143034308099205

Oakland, T. & Hatzichristou, C. (2010). Temperament Styles Of Greek and US Children. School Psychology International, 31(4), 422-437. http://dx.doi.org/10.1177/0143034310377302

Pasquali, L. (2007). Validade dos Testes Psicológicos: Será possível reencontrar o caminho? Psicologia: Teoria e Pesquisa, 23(n. esp.), 099 107.

Pinho, C. C. M. (2005). Taxonomia Brasileira da Personalidade: um estudo dos adjetivos da Língua Portuguesa. [Dissertação de Mestrado], PUC-Campinas.

Pitta, K. B., Santos, L. A. D., Escher, C.A., & Bariani, I.C.D. (2000). Estilos cognitivos de estudantes de psicologia: impacto da experiência em iniciação científica. Psicologia Escolar e Educacional, 4(2), 41-49. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572000000200005

Primi, R., Wechsler, S. M., Nakano, T. C., Oakland, T., & Guzzo, R. S. L. (2014). Using Item Response Theory Methods with the Brazilian Temperament Scale for Students. Journal of Psychoeducational Assessment, 32, 651-662. http://dx.doi.org/10.1177/0734282914528613

Quintana, T. & Mu-oz, G. (2010). Validación y adaptación del cuestionario de temperamento y carácter, JTCI de R. Cloninger, versión ni-os y padres, a escolares chilenos entre 8 y 13 a-os de edad. Terapia Psicológica, 28(1), 37-43. http://dx.doi.org/10.4067/S0718-48082010000100004

Ramos, L. M. A. (2005). Tipos Psicológicos na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Educação Temática Digital, 4(2), 137-180.

Reali, A. M. M. R., Tancredi, R. M. S. P., & Mizukami, M. G. N. (2008). Programa de mentoria online: espaço para o desenvolvimento profissional de professoras iniciantes e experientes. Educação e Pesquisa, 34(1), 077-095. http://dx.doi.org/10.1590/s1517-97022008000100006

Runco, M. (2007). Creativity: Theories and Themes – Research, Development and Practice. Burlington, MA: Elsevier Academic Press.

Sadler-Smith, E. (2009). A duplex model of cognitive style. In Li-Fang Zhang & Robert J. Sternberg. Perspectives on the nature of cognitive styles. New York: Springer Publishing Company.

Shiner, R. L. (2011). O impacto do temperamento no desenvolvimento infantil: comentários sobre Rothbart, Kagan e Eisenberg. In Tremblay, R. E., Boivin, M., Peters, R. D., & V. (Eds.). Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [online]. Montreal, Quebec: Centre of Excellence for Early Childhood Development. Disponível

em: http://www.enciclopedia-crianca.com/documents/ShinerPRTxp1.pdf. Consultado em: 26/03/2013.

Sternberg, R. J. & Grigorenko, E. L. (1997). Are Cognitive Styles Still in Style? American Psychologist, 52(7), 700-712. http://dx.doi.org/10.1037/0003-066X.52.7.700

Sternberg, R.J. & Grigorenko, E.L. (2001). A capsule history and research on styles. In R. J. Sternberg & L. F. Zhang (Eds.). Perspectives on thinking, learning and cognitive styles (pp. 1-22). London: Lawerence Erlbaum Associates Publishers.

Wechsler, S. M. (2008). Estilos de pensar e criar: impacto nas áreas educacional e profissional. Psicodebate, 7, 207-218.

Wechsler, S. M. (2009). Age and gender impact on Thinking and Creating Styles. European Journal of Educational and Psychology, 2(1), 37-48.

Wechsler, S. M., Benson, N., Oakland, T., & Lourençoni, M. A. (2014). Factorial Structure of the Inventory of Adult Temperament Styles. Psicologia: Reflexão e Crítica, 27(4), 720-727. http://dx.doi.org/10.1590/1678-7153.201427412

Zhang, L. F. & Sternberg, R. J. (2005). A Threefold Model of Intellectual Styles. Educational Psychology Review, 17(1), 1-53. http://dx.doi.org/10.1007/s10648-005-1635-4

Zhang, L. F. (2011). Teaching styles and conceptions of effective teachers: Tibetan and Han Chinese academics compared. Learning and Individual Differences, 21, 619-623. http://dx.doi.org/10.1016/j.lindif.2011.06.005




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2016.1.20158

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.