Síndrome de Burnout: Impacto da Satisfação no Trabalho e da Percepção de Suporte Organizacional

Vanessa Faria Neves, Áurea de Fátima Oliveira, Priscila Castro Alves

Resumo


Este estudo propôs-se a investigar um modelo em que as variáveis satisfação no trabalho e percepção de suporte organizacional consistem em preditoras da síndrome de burnout em profissionais de enfermagem. A amostra do estudo foi composta por 339 trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário, que responderam um instrumento composto por dados sócio-demográficos e por escalas validadas das variáveis estudadas. Após realizadas as análises de regressão múltipla (método stepwise), constatou-se que os maiores percentuais de explicação para as três dimensões da síndrome de burnout foram atribuídos às variáveis satisfação com a natureza do trabalho e à percepção de suporte organizacional. Os resultados evidenciam a importância da natureza do trabalho e do apoio organizacional para esses profissionais e alertam para que as organizações de saúde lhes estabeleçam estratégias de valorização. A prevenção desta síndrome é fundamental para a garantia de um atendimento de qualidade aos usuários dos serviços de
saúde.


Palavras-chave


Stress ocupacional. Satisfação no trabalho. Condições de trabalho.

Texto completo:

PDF

Referências


Abbad, G., & Torres, C. V. (2002). Regressão múltipla stepwise e hierárquica em psicologia organizacional: aplicações, problemas e soluções. Estudos de Psicologia (Natal), 7(esp.), 19-29.

Aiken. L. H., & Sloane, D. M. (1997). Effects of organizational innovations in aids care on burnout among urban hospital nurses. Work and Occupations, 24, 453-477.

Benevides-Pereira, A. M. (2002). Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Benevides-Pereira, A.M.T. (2003). O Estado da Arte do Burnout no Brasil. Revista Eletrônica InterAção Psy, 1(1), 4-11.

Carlotto, M. S. (2011). Fatores de risco da síndrome de burnout em técnicos de enfermagem. Revista da SBPH, 14(2), 7-26.

Carlotto, M. S., & Câmara, S. G. (2007). Preditores da Síndrome de Burnout em professores. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). 11(1), 101-110.

Carlotto, M. S., & Câmara, S. G. (2008). Análise da produção científica sobre a Síndrome de Burnout no Brasil. Revista Psico, PUCRS, 39(2), 152-158.

Carlotto, M. S., & Palazzo, L. S. (2006). Síndrome de Burnout e fatores associados: um estudo epidemiológico com professores. Cadernos de Saúde Pública, 22(5), 1017-1026.

Chaves, L. D., Ramos, L. H., & Figueiredo, E. N. (2011). Satisfação profissional de enfermeiros do trabalho no Brasil. Acta Paulista de Enfermagem, 24(4), 507-513.

Codo, W. (Coord.). (1999). Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes.

Codo, W., & Vasques-Menezes, I. (2002). O que é Burnout? In Wanderley Codo. (Org.). Educação: carinho e trabalho. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 237-254.

Cohen, J. (1977). Statistical Power Analysis for the Behavioral Sciences. New York: Academic Press.

Colliére, M. F. (2003). Cuidar: a primeira arte da vida. Loures: Lusociência.

Decreto n. 3048 (1999, 6 de maio) – Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República.

Eisenberger. R., Huntington. R., Hutchison. S., & Sowa. D. (1986). Perceived organizational support. Journal of Applied Psvchologv, 7, 500-507.

Elias, M. A., & Navarro, V. L. (2006). A relação entre o trabalho, a saúde e as condições de vida: negatividade e positividade no trabalho das profissionais de enfermagem de um hospital escola. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 14(4), 517-525.

Faragher, E. B., Cass, M., & Cooper, C. L. (2005). The relationship between job satisfaction and health: a meta-analysis. Occupational Environment Medicine, 62(2), 105-112.

Ferrari, R., França, F. M., & Magalhães, J. (2012). Avaliação da síndrome de burnout em profissionais de saúde: uma revisão integrativa da literatura. Revista Eletrônica Gestão & Saúde, 3, 1150-1165.

Ferreira, M. C., & Assmar, E. M. L. (2004). Cultura, satisfação e saúde nas organizações. In Tamayo, A. (Org.). Cultura e saúde nas organizações (pp. 102-126). Porto Alegre: Artmed, 2004.

Grazziano, E. S., & Ferraz, Bianchi, E. R. (2010). Impacto do stress ocupacional e burnout para enfermeiros. Enfermería Global, 18, 1-20.

Hair, J. F., Anderson, R. E., Tatham, R. L., & Black, W. C. (2005). Análise multivariada de dados. Trad. de Adonai, S. S.; Anselmo, C. N. Porto Alegre: Bookman.

Larraguibel, B. F., & Paravic, T. (2003). Nivel de satisfação laboral em Enfermeras de hospitales públicos y privados de la provincia de Concepción, Chile. Revista Ciencia y Enfermeria, 9(2), 57-66.

Martinez, M. C., & Paraguay, A. I. B. B. (2003). Satisfação e saúde no trabalho: aspectos conceituais e metodológicos. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 6, 59-78.

Martinez, M. C., Paraguay, A. I. B. B., & Latorre, M. do R. D. de O. (2004). Relação entre satisfação com aspectos psicossociais e saúde dos trabalhadores. Revista de Saúde Pública, 38(1), 55-61.

Martins, M. C. F., & Santos, G. E. (2006). Adaptação e validação de construto da Escala de Satisfação no Trabalho. Revista Psico-USF, 11(2), 195-205.

Maslach, C. (1993). Burnout: A multidimensional perspective. In W. B. Schaufeli, C. Maslach, & T. Marek (Eds.), Professional burnout: recent developments in theory and research (pp. 19-32). New York: Taylor & Francis.

Maslach, C. (2006). Promovendo o envolvimento e reduzindo o burnout. In Anais do VI Congresso de Stress da ISMA-BR e VIII Fórum Internacional de Qualidade de Vida no Trabalho. Porto Alegre: CD-ROM.

Maslach, C., & Jackson, S. E. (1981). The measurement of experienced burnout. Journal of Ocuppational Behavior, 2, 99-113.

Maslach, C., & Jackson, S. E. (1986). Maslach Burnout Inventory, Manual. Palo Alto, University of California, Consulting Psychologist.

Maslach, C., & Leiter, M. P. (1997). The truth about burnout: How organizations cause personal stress and what to do about it. San Francisco: Jossey Bass.

Maslach, C., Schaufeli, W. B., & Leiter, M. P. (2001). Job Burnout. Annual Reviews of Psychology, 52, 397-422.

Matubaro, K. C. A, Lunardelli, M. C. F., Ellaro, A. M, Bulhões, L. F. S. S., & Souza, L. L. (2009). A síndrome de burnout em profissionais da saúde: uma revisão bibliográfica. Acesso em 02 abril 2010, em: http://prope.unesp.br/xxi_cic/27_22891515803.pdf

Meneghini, F., Paz, A. A., & Lautert, L. (2011). Fatores ocupacionais associados aos componentes da síndrome de burnout em trabalhadores de enfermagem. Texto Contexto Enfermagem, 20(2), 225-233.

Miles, J., & Schevlin, M. (2001). Applying regression, & correlation. A guide for students e researchers. London: Sage Publications.

Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. (2001). Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, DF: Autor.

Moreira, D. de S., Magnago, R. F., Sakae, T. M., & Magajewski, F. R. L. (2009). Prevalência da síndrome de burnout em trabalhadores de enfermagem de um hospital de grande porte da Região Sul do Brasil. Cad. Saúde Pública, 25(7), 1559-1568.

Oliveira, P. R., Tristão, R. M., & Neiva, E. R. (2006). Burnout e suporte organizacional em profissionais de UTI-Neonatal.Educação Profissional: Ciência e Tecnologia, 1(1), 27-37.

Palazzo, L. dos S., Carlotto, M. S., & Aerts, D. R. G. de C. (2012). Síndrome de burnout: estudo de base populacional com servidores do setor público. Revista de Saúde Pública, 46(6), 1066-1073.

Poncet, M. C., Toullic, P., Papazian, L., Kentish-Barnes, N., Timsit, J. F., Pochard, F., Chevret, S., Schlemmer, B., & Azoulay, E. (2007). Burnout syndrome in critical care nursing staff. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 175(7), 698-704.

Ritter, R. S., Stumm, E. M. F., & Kircher, R. M. (2009). Análise de Burnout em profissionais de uma unidade de emergência de um hospital geral. Revista Eletrônica de Enfermagem, 11(2), 236-248.

Rosa, C. da, & Carlotto., M. S. (2005). Síndrome de burnout e satisfação no trabalho em profissionais de uma instituição hospitalar. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (Belo Horizonte), 8(2), 1-15.

Ruviaro, M. de F. S., & Bardagi, M. P. (2010). Síndrome de burnout e satisfação no trabalho em profissionais da área de enfermagem do interior do RS. Barbarói, 33, 194-216.

Santos, P. G. (2010). O estresse e a síndrome de burnout em enfermeiros bombeiros atuantes em unidades de pronto-atendimento (UPAS). Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Schmidt D. R. C., & Dantas, R. A. S. (2006). Qualidade de vida no trabalho de profissionais de enfermagem, atuantes em unidades do bloco cirúrgico, sob a ótica da satisfação. Rev Latino-americana de Enfermagem, 14(1), 54-60.

Schmidt, D. R. C., Paladini, M., Biato, C., Pais, J.D., & Oliveira, A.R. (2013). Qualidade de vida no trabalho e burnout em trabalhadores de enfermagem de Unidade de Terapia Intensiva. Revista Brasileira de Enfermagem, 66(1), 13-27.

Silva R. M., Beck, C. L. C., Guido, L. A., Lopes, L. F D., & Santos J. L. G. (2009). Análise quantitativa da satisfação profissional dos enfermeiros que atuam no período noturno. Texto Contexto – Enfermagem (Florianópolis), 18(2), 298-305.

Silva, D. C. M., Loureiro, M. de F., & Peres, R. S. (2008). Burnout em profissionais de enfermagem no contexto hospitalar. Psicologia Hospitalar, 6(1), 39-51.

Silva, T. D., & Carlotto, M. S. (2008). Síndrome de burnout em trabalhadores da enfermagem de um hospital geral. Revista SBPH, 11(1), 113-130.

Siqueira, M. M. M. (1995). Antecedentes de comportamento de cidadania organizacional: análise de um modelo pós-cognitivo. Tese de doutorado, Universidade de Brasília, DF.

Siqueira, M. M. M. (2008). Satisfação no trabalho. In Siqueira, M. M. M. (Org.). Medidas do comportamento organizacional: ferramentas de diagnóstico de gestão (pp. 265-274). Porto Alegre: Artmed.

Tabachnick, B. G., & Fidell, L. S. (2001). Using multivariate statistics. New York: Harper and Row.

Tamayo, M. R. (2009). Burnout: Implicações das Fontes Organizacionais de Desajuste Indivíduo-Trabalho em Profissionais da Enfermagem. Psicologia: Reflexão e Crítica, 22(3), 474-482.

Tamayo, M. R., & Tróccoli, B. T. (2009). Construção e validação fatorial da Escala de Caracterização do Burnout (ECB). Estudos de Psicologia, 14(3), 213-221.

Tamayo, M. R., & Tróccoli, B. T. (2002). Exaustão emocional: relações com a percepção de suporte organizacional e com as estratégias de coping no trabalho. Estudos de Psicologia, 7(1), 37-46.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2014.1.12520



e-ISSN: 1980-8623

ISSN-L: 0103-5371

*********************************

Este periódico é membro do COPE (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios. http://www.publicationethics.org

Licença Creative Commons

Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

Políticas Editoriais das Revistas Científicas Brasileiras. Disponibilidade para depósito: Azul.

 

 

Copyright: © 2006-2019 EDIPUCRS