Facetas da Exposição In Vivo e por Realidade Virtual na Intervenção Psicológica no Medo de Dirigir

Verônica Bender Haydu, Silvia Aparecida Fornazari, Elizeu Borloti, Nícholas Bender Haydu

Resumo


Entrar em contato com o estímulo temido faz parte das estratégias de intervenção psicológicas mais indicadas ao tratamento de fobias e medos. Este artigo descreve os componentes de exposição em algumas das principais estratégias para tratar medos e fobias específicas, com destaque para a Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT) e a Terapia de Exposição por Realidade Virtual (VRET), focando a fobia de dirigir. Dados da bibliografia mostraram que os principais tipos de tratamento envolvem a exposição às situações/objetos temidos, e essa pode ser pública e/ou privada (a experiência do sentir e do pensar na ACT) ou virtual, como na VRET. Conclui-se que respostas intensas de ansiedade são extintas na exposição ao estímulo público/privado, não importa se in vivo ou por realidade virtual, e como o medo envolve o comportamento verbal, os princípios de aprendizagem também são aplicáveis na extinção do comportamento emocional relacionado a essas respostas.

Palavras-chave


Medo de dirigir; exposição; Terapia da Aceitação e Compromisso; Terapia de Exposição por Realidade Virtual; Realidade virtual.

Texto completo:

PDF

Referências


Albuquerque, L. C., Paracampo, C. C. P., Matsuo, G. L., & Mescouto, W. A. (2013). Variáveis combinadas, comportamento governado por regras e comportamento modelado por contingências. Acta Comportamentalia, 21, 285-304.

American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5ª ed.). Washington: American Psychiatric Publishing.

Ayres, J. B. (1998). Fear conditioning and avoidance. In W. O’Donohue. Learning and behavior therapy (pp. 122-145). Needham Height, MA: Ally and Bacon.

Baldwin, et al. (2005). Evidence-based guidelines for the pharmacological treatment of anxiety disorders: Recommendations from the British Association for Psychopharmacology, Journal of Psychopharmacology, 19, 567-596. doi: 10.1177/ 0269881105059253

Banaco, R. A., & Zamignani, D. R. (2004). An analytical-behavioral panorama on the anxiety disorders. In T. C. C. Grassi (Org.). Contemporary challenges in the behavioral approach: A brazilian overview (pp. 9-26). Santo André: ESETec.

Bandura, A. (1969). Modificação do Comportamento. Rio de Janeiro: Interamericana.

Barcellos, A. C. B., & Haydu, V. B. (1995). História da psicoterapia comportamental. In B. Rangé (Org.). Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas (pp. 43-53). Campinas: Editorial Psy.

Beck, J. G., Palyo S. A, Winer E. H., Schwagler B. E., & Ang E. J. (2007). Virtual Reality Exposure Therapy for PTSD symptoms after a road accident: An uncontrolled case series. Behavior Therapy, 38, 39-48. doi: 10.1016/j.beth.2006.04.001

Berens, N. M., & Hayes, S. C. (2007). Arbitrarily applicable comparative relations: Experimental evidence for a relational operant. Journal of Applied Behavior Analysis, 40, 45-71. doi: 10.1901/jaba.2007.7-06

Bloch, F., Rigaud, A. S., & Kemoun, G. (2013). Virtual Reality Exposure Therapy in posttraumatic stress disorder: A brief review to open new opportunities for post-fall syndrome in elderly subjects. European Geriatric Medicine, 4, 427-430. doi: 10.1016/j.eurger.2013.10.005

Borloti, E. B., Fonseca, K. A., Charpinel, C. P., & Lira, K. M. (2009). Uma análise etimológico-funcional de nomes de sentimentos. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 11, 77-95.

Caballo, V. E. (1996). O treinamento em habilidades sociais. In V. E. Caballo (Org.). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Santos.

Carvalho, M. R., Nardi, A. E., & Rangé, B. (2008). Comparação entre os enfoques cognitivo, comportamental e cognitivo-comportamental no tratamento do transtorno de pânico. Revista de Psiquiatria Clínica, 35, 66-73. doi: 10.1590/S0101-60832008000200004

Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre: Artes Médias.

Catania, A. C., Matthews, A., & Shimoff, E. (1990). Properties of rule-governed behaviour and their implications. In D. E. Blackman & H. Lejeune (Orgs.). Behaviour analysis in theory and practice: Contributions and controversies (pp. 215-230). Brighton: Lawrence Erlbaum.

Clanton, G. (2006). Jealousy and envy. In J. E. Stets, & J. H. Turner (Orgs.). Handbook of the sociology of emotions (pp. 410-442). Berlin: Springer.

Coêlho, N. L., & Tourinho, E. Z. (2008). O conceito de ansiedade na análise do comportamento. Psicologia: Reflexão e Crítica, 21, 171-178. doi: 10.1590/S0102-79722008000200002

Costa, R. T., Carvalho, M. R., & Nardi, A. E. (2010). Virtual reality exposure therapy in the treatment of driving phobia: A systematic review. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26, 35-42. doi: 10.1590/S0102-37722010000100015

Cosci, F. (2012). O desenvolvimento psicológico do transtorno de pânico: implicações para a neurobiologia e o tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria, 34 (Suppl. 1), 9-19. doi: 10.1590/S1516-44462012000500003

Dack, C., McHugh, L., & Reed, P. (2012). Transfer of judgments of control to a target stimulus and to novel stimuli through derived relations. Learning and Behavior, 40, 448-464. doi: 10.3758/s13420-012-0066-6

Eifert, G. H., & Forsyth, J. P. (2005). Acceptance & Commitment Therapy for anxiety disorders: A practitioner’s treatment guide to using mindfulness, acceptance, and values-based behavior change strategies. Oakland, CA: New Harbinger.

Eifert, G. H. et al. (2009). Acceptance and commitment therapy for anxiety disorders: Three case studies exemplifying a unified treatment protocol. Cognitive and Behavioral Practice, 16, 368-385. doi: 10.1016/j.cbpra.2009.06.001

El-Islam, M. F. (1999). Cultural aspects of morbid fears in Qatari women. Social Psychiatric and Psychiatric Epimediology, 29, 137-140. doi: 10.1007/BF00796494

Ferreira, D. C., Tadaiesky, L. T., Coêlho, N. L., Neno, S., & Tourinho, E. Z. (2010). A interpretação de cognições e emoções com o conceito de eventos privados e a abordagem analítico-comportamental da ansiedade e da depressão. Perspectivas em Análise do Comportamento, 1, 70-85.

Garcia, M. (2010). Amaxofobia é maior entre o sexo feminino. Recuperado de http://www.webtranspo.com.br/veiculos/17961-medo-de-dirigir-atinge-6-dos-brasileiros

Guerin, B. (1994). Attitudes and beliefs as verbal behavior. The Behavior Analyst, 17, 155-163.

Goulart, P. R. K, Delage, P. E. G. A., Rico, V. V., & Brino, A. L. F. (2012). Aprendizagem. In M. M. C. Hübner, M. B. Moreira. (Orgs.). Fundamentos de psicologia: Temas clássicos da psicologia sob a ótica da análise do comportamento (pp. 20-41). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Guimarães, S. S. (2001). Terapias cognitivas e comportamentais. In B. Rangé (Org.). Psicoterapia cognitivo-comportamentais. um diálogo com a psiquiatria (pp. 113-130). Porto Alegre: ARTEMED.

Hayes, S. C. (2004). Acceptance and commitment therapy, relational frame theory, and the third wave of behavioral and cognitive therapies. Behavior Therapy, 35, 639-665. doi: 10.1016/S0005-7894(04)80013-3

Hayes, S. C., & Strosahl, K. D. (2005). (Orgs.). A practical guide to acceptance and commitment therapy. New York: Springer-Verlag.

Hessel, A., & Borloti, E. (2010). Fobia de direção: estudo exploratório na cidade de Vitória (ES). In M. R. Garcia, P. R. Abreu, E. N. P. Cillo, P. B. Faliros, P. Piazzon. (Orgs.). Sobre comportamento e cognição: terapia comportamental cognitiva (pp. 13-24). Santo André: ESETec.

Jang, D. P. et al. (2002). Analysis of physiological response to two virtual environments: Driving and flying simulation. CyberPsychology & Behavior, 5, 11-18. doi: 10.1089/ 109493102753685845

Kim, K., Kim, C., Kim, S., Roh, D., & Kim, S. I. (2009). Virtual reality for obsessive-compulsive disorder: Past and the future. Psychiatry Investigation, 6, 115-121. doi: 10.4306/pi. 2009.6.3.115

Krijn, M., Emmelkamp, P. M. G., Olafsson, R. P., & Biemond, R. (2004). Virtual reality exposure therapy of anxiety disorders: A review. Clinical Psychology Review, 24, 259-281. doi: 10.1016/j.cpr.2004.04.001

Lam, K., Marra, C., & Salzinger, K. (2005). Social reinforcement of somatic versus psychological description of depressive events. Behavior Research and Therapy, 43, 1203-1218. doi: 10.1016/j.brat.2004.09.003

Meyerbröker, K., & Emmelkamp, P. M. G. (2010). Virtual reality exposure therapy in anxiety disorders: A systematic review of process-and-outcome studies. Depression and Anxiety, 27, 933-944. doi:10.1002/da.20734

Murta, S. G. (2005). Aplicações do treinamento em habilidades sociais: análise da produção nacional. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18, 283-291. doi: 10.1590/S0102-79722005000200017

Ngai, I., Tully, E. C., & Anderson, P. L. (2013). The course of the working alliance during virtual reality and exposure group therapy for social anxiety disorder. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 17, 1-15. doi: 10.1017/S135246581300088X

Nichols, S., & Patel, H. (2002). Health and safety implications of virtual reality: A review of empirical evidence. Applied Ergonomics, 33, 251-271. doi: 10.1016/S0003-6870(02) 00020-0

Noda, Y. et al. (2007). Sensitization of catastrophic cognition in cognitive-behavioral therapy for panic disorder. BMC Psychiatry, 7, 1-9. doi: 10.1186/1471-244X-7-70

O’Donohue, W. (1998). (Org.). Learning and behavior therapy. Needham Height, MA: Ally and Bacon.

Peñate-Castro, W. et al. (2014). Cognitive-behavioral treatment and antidepressants combined with virtual reality exposure for patients with chronic agoraphobia. International Journal of Clinical and Health Psychology, 14, 9-17. doi: 10.1016/S1697-2600(14)70032-8

Rus-Calafell, M., Gutiérrez-Maldonado, J., & Ribas-Sabaté, J. (2014). A virtual reality-integrated program for improving social skills in patients with schizophrenia: A pilot study. Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry, 45, 81-89.

doi: 10.1016/j.jbtep.2013.09.002

Savoia, M. G. (2004). Descatastrofização. In C. N. Abreu, & H. J Guilhardi. (Orgs.). Terapia comportamental e cognitivo-comportamental: práticas clínicas (pp. 336-343). São Paulo: Roca.

Simão, M. J. P. (2001). Terapia comportamental cognitiva. Técnicas para o tratamento de transtornos ansiosos. In R. C. Wielenska (Org.). Sobre comportamento e cognição: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos (pp. 248-255). Santo André: ESETec.

Skinner, B. F. (1981). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. (Publicado originalmente em 1953).

Swain, J., Hancock, K., Hainsworth, C., & Bowman, J. (2013). Acceptance and commitment therapy in the treatment of anxiety: A systematic review. Clinical Psychology Review, 33, 965-978.

Taylor, J. E., Deaneb, F. P., & Podd, J. V. (2007). Driving fear and driving skills: Comparison between fearful and control samples using standardized on-road assessment. Behaviour Research and Therapy, 45, 805-818. doi: 10.1016/j.brat.2006.07.007

Turner, R. M. (1999). Dessensibilização sistemática. In V. E. Caballo, Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento (pp. 167-195). São Paulo: Santos Livraria e Editora.

Wald, J., & Taylor, S. (2000). Efficacy of virtual reality exposure therapy to treat driving phobia: A case report. Journal of Behaviour Therapy and Experimental Psychiatry, 31, 249-257. doi: 10.1016/S0005-7916(01)00009-X

Wald, J., & Taylor, S. (2003). Preliminary research on the efficacy of virtual reality exposure therapy to treat driving phobia. Cyberpsychology and Behavior, 6, 459-465. doi: 10.1089/109493103769710488

Walshe, D. G., Lewis, E. J., Kim, S. I., O’Sullivan, K., & Wiederhold, B. K. (2003). Exploring the use of computer games and virtual reality exposure therapy for fear of driving following a motor vehicle accident. CyberPsychology and Behavior, 6, 329-334. doi: 10.1089/109493103322011641

Walshe, D., E., Lewis, E., O’Sullivan, K., & Kim, S. I., (2005). Virtually driving: Are the driving environments “real enough” for exposure therapy with accident victims? An explorative study. CyberPsychology and Behavior, 8, 532-537. doi: 10.1089/cpb.2005.8.532

Wauke, A. P. T., Carvalho, L. A. V. de, & Costa, R. M. E. M. (2005). Tratamento de fobias urbanas por meio de ambientes virtuais. Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal, 99, 5-11.

Wiederhold, B. K., & Wiederhold M. D. (2000). Lessons learned from 600 virtual reality sessions. CyberPsychology & Behavior, 3, 393-400. doi: 10.1089/10949310050078841

Wiederhold, B. K., & Wiederhold M. D. (2010). Virtual reality treatment of posttraumatic stress disorder due to motor vehicle accident. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 13, 21-27. doi: 10.1089=cyber.2009.0394

Wolpe, J. (1958). Psychotherapy by reciprocal inhibition. Stanford, CA: Stanford University.

Wood, D. P., Wiederhold, B. K., & Spira, J. (2010). Lessons learned from 350 virtual-reality sessions with warriors diagnosed with combat-related posttraumatic stress disorder. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 13, 3-11. doi: 10.1089/cyber. 2009.0396

Zamignani, D. R. (2001). Uma tentativa de entendimento do comportamento obsessivo-compulsivo: algumas variáveis negligenciadas. In R. C. Wielenska (Org.). Sobre comportamento e cognição: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos (pp. 256-266). Santo André: ESETec.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2014.2.11442



e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.