A universidade enquanto (não)lugar: reflexões sobre fatores de engajamento e lugarização de estudantes

Adriana Justin Cerveira Kampff, Rosa Eulógia Ramirez, Lidiane Ramirez de Amorim

Resumo


As instituições de Ensino Superior, num cenário de competitividade cada vez mais acirrado, compartilham, atualmente, de um mesmo desafio: além de atrair novos estudantes, como mantê-los? Como engajá-los no cotidiano a fim de que considerem a Universidade um lugar de permanência e não somente um (não)lugar (AUGÉ, 2010, 2012) de passagem? Escolhemos a perspectiva antropológica sobre lugares e não-lugares proposta por Augé para tecer reflexões acerca do engajamento estudantil, enquanto dimensão central na gestão identitários, históricos e relacionais. Ambientes dotados de valor, de sentimentos, de experiência, de sentidos, de vínculos. Já os não-lugares, ao contrário, são espaços, normalmente, de circulação, onde não se inscrevem relações sociais duradouras e as relações são baseadas em contratos, com discursos prescritivos, imperativos, que não chegam a gerar vínculos (AUGÉ, 2010, 2012). Acreditamos que as estratégias de engajamento das IES configuram-se em dimensões fundamentais para tornarem o ambiente acadêmico lugares antropológicos, relacionais, repletos de sentidos para seus estudantes, desenvolvendo não somente suas habilidades cognitivas, mas gerando experiências e aprendizagens significativas e relevantes. Tal envolvimento, por sua vez, além de influenciar positivamente no desempenho acadêmico do estudante (GUERREIRO-CASANOVA; POLYDORO, 2010; ASTIN, 1977, 1993), também contribui para a permanência do aluno e a consolidação de sua trajetória universitária (TINTO, 2000), impactando na sustentabilidade institucional. De acordo com Augé (2012, p. 87) “assim como os lugares antropológicos criam um social orgânico, os não lugares criam tensão solitária”. Nessa perspectiva, o lugar se constrói em meio a sensibilidades e fragmentos identitários do sujeito e/ou da dimensão que ali se lugariza. Uma dimensão lugarizada, significa dizer que entre ela e o lugar há um vínculo constituído, uma ligação que a torna parte, uma sensação plena de pertencimento. A proposta do artigo é aprofundar as reflexões sobre o engajamento estudantil em uma Universidade confessional do Rio Grande do Sul, como fator de lugarização. Metodologicamente, trata-se de um estudo bibliográfico a partir dos autores de referência, já mencionados, complementado com análise documental. 


Palavras-chave


Engajamento; Permanência; Universidade; Lugar; Não lugar.

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