A gênese e o desenvolvimento da empatia: fatores formativos implicados

Gisele Schmidt Moitoso, Cledes Antonio Casagrande

Resumo


Este artigo tem por objetivo apresentar resultados parciais de uma pesquisa de natureza qualitativa, em andamento, sobre a gênese da empatia e sobre o modo como ocorre o seu desenvolvimento na infância. A metodologia utilizada compõe-se de revisão bibliográfica e análise hermenêutica. Os dados da pesquisa permitiram compreender a empatia como a capacidade natural que um indivíduo tem de ser tocado pelo estado emocional alheio. Ademais, do estudo emergiram outros três aspectos referentes à empatia. O primeiro, oriundo de uma aproximação histórico-conceitual, permite entender a empatia como uma competência já conhecida, primariamente denominada ‘simpatia’, e relacionada à experiência estética do ser humano. O segundo relaciona a gênese da empatia a duas vertentes: uma vinculada aos estudos com crianças, que detectou a presença da empatia em bebês, e outra que compreende a empatia em um contexto evolucionista, como uma característica compartilhada com outros animais mamíferos. O terceiro aspecto aponta a possibilidade de formar a empatia e outros elementos da moralidade humana desde o nascimento. Dado que a empatia consiste em uma competência fundamental à convivência humana, presente desde o nascimento, é preciso e possível promovê-la pela via da formação familiar e escolar.


Palavras-chave


Empatia; Infância; Desenvolvimento humano; Formação.

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