Revendo a Conjuntura 1933-1935 em Porto Alegre através da vida de Policarpo Hibernon Machado

Guilherme Machado Nunes

Resumo


A partir da vida desse barbeiro e jornalista gaúcho, esse artigo pretende discutir alguns limites e possibilidades de militância política e sindical de um membro do PCB no Rio Grande do Sul, especialmente durante o processo de refundação da Federação Operária do Rio Grande do Sul e durante sua nova fase (1933-1935). No Rio Grande do Sul, o imediato pós-30 foi um período de certo arrefecimento das lutas operárias. Foi apenas no final de 1933 que a capital gaúcha presenciou uma grande greve – de padeiros, exigindo o cumprimento de um Decreto do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que regulamentava seu ofício. Policarpo Hibernon Machado era Secretário-Geral da FORGS, que, até então, pregava um discurso de conciliação e de colaboração com o Estado. A partir desse caso, podemos perceber que, ao mesmo tempo que a Federação radicalizava suas ações e seus discursos, o Estado respondia com um aumento das atividades repressivas, apesar de garantir que a questão social não era mais caso de polícia. Dessa forma, se tentará compreender como um trabalhador comunista conseguiu fazer a transição de uma entidade “colaborativa” para uma entidade “radical” e como os comunistas se apropriaram da legislação trabalhista de Vargas para tentar influenciar o movimento sindical.


Palavras-chave


Policarpo Hibernon Machado; biografia; FORGS

Texto completo:

PDF

Referências


AMARAL, Roberto Mansilla. Astrojildo Pereira e Octávio Brandão: os precursores do comunismo nacional. In: FERREIRA, Jorge; REIS, Daniel Aarão. As esquerdas no Brasil v. 1: A formação das tradições (1889 – 1945). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

BARRETO, Álvaro Augusto de Borba. O movimento operário rio-grandense e a intervenção estatal: a FORGS e os Círculos Operários (1932-1935). 1996. Dissertação (Mestrado em História), Programa de Pós-Graduação em História, UFRGS, Porte Alegre, 1996.

BARROS, Orlando de. Os intelectuais de esquerda e o ministério Lindolfo Collor. In: FERREIRA, Jorge; REIS, Daniel Aarão. As esquerdas no Brasil v. 1: A formação das tradições (1889 – 1945). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

BARTZ, Frederico Duarte. Abílio de Nequete (1888 – 1960): os múltiplos caminhos de uma militância operária. História Social (UNICAMP), Campinas v. 14/15, p. 157-173, 2008.

DUARTE, Regina Horta. A imagem rebelde: a trajetória libertária de Avelino Fóscolo. Campinas: Pontes/Ed. da UNICAMP, 1991.

FORTES, Alexandre, Nós do Quarto Distrito: a classe trabalhadora porto-alegrense na Era Vargas. Caxias do Sul, Educs; Rio de Janeiro: Garamond, 2004.

KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao parlamento: o Bloco Operário e Camponês do Brasil (1924 – 1930). São Paulo: Alameda, 2006.

KONRAD, Diorge. Alceno. Greve Geral, Luta de Classes e Repressão no Rio Grande do Sul de 1935. Revista Latino-Americana de História, São Leopoldo, v. 1, p. 311-324, 2012.

LEVI Giovanni. Usos da biografia. In: AMADO, Janaína e FERREIRA, Marieta de Moraes (orgs.). Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1996.

___________. Un problema de escala. Relaciones. Estudios de historia y sociedad. México vol. XXIV, núm. 95, p. 279 – 288, verano, 2003.

LONER, Beatriz. Ana. As frentes sindicais do interior e a FORGS na década de 1930. Métis (UCS), Caxias do Sul, v. 4, n.7, p. 145-168, 2005.

LORIGA, Sabina. A biografia como problema. In: REVEL, Jacques (org). Jogos de escalas: a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1998.

______________. O pequeno X: da biografia à história. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

MARÇAL, João Batista; MARTINS, Marisângela. Dicionário Ilustrado da Esquerda Gaúcha. Porto Alegre: Palmarinca, 2008.

OLIVEIRA, Tiago Bernardon de. Anarquismo, Sindicatos e Revolução no Brasil (1906 – 1936). Tese (Doutorado em História). Rio de Janeiro: UFF, 2009.

PETERSEN, Sílvia. Regina. Ferraz.; LUCAS, Maria Elizabeth. Antologia do movimento operário gaúcho: (1870-1937). Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS: Tchê, 1992.

REVEL, Jaques. REVEL, Jacques. Micro-história, macro-história: o que as variações de escala ajudam a pensar em um mundo globalizado. Revista Brasileira de Educação. V. 15, n. 45 set/dez. 2010.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/2178-3748.2016.2.21330

e-ISSN: 2178-3748


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.