Notícias

Chamada de Dossiê Temático

História e Ambiente

 

O tema do Meio Ambiente na pesquisa histórica e a preocupação com discussões socioambientais foram especialmente fomentados a partir da década de 1970. Alguns exemplos podem ser aqui apresentados, tal como a publicação do volume especial Histoire et Environnement na revista francesa Annales -  Économies, Sociétés, Civilisations (ano 29, n.3, 1974) organizado por Emmanuel Le Roy Ladurie e o curso de Environmental History  na Universidade da Califórnia Santa Barbara, em 1972, por Roderick Nash (2014). Dos anos 1970 em diante, temos um aumento exponencial do debate público de diferentes áreas do conhecimento sobre a Ecologia (termo cunhado por Ernst Haeckel, em 1866) e o surgimento de diferentes movimentos políticos e culturais sob este escopo. Como parte desses movimentos está o desenvolvimento de pesquisas com enfoques os mais diversos sobre a referida temática, mas que preservam a premissa de compreender o fenômeno histórico não somente a partir de seus agentes humanos. Estas pesquisas vão desde a história ambiental de empreendimentos coloniais (como BUBLITZ, 2008), a estudos que medem a gestão da água e o saneamento básico (RÜCKERT, 2015), ao motivo edênico no imaginário sobre a natureza do Brasil (CARVALHO, 1998), ao estudo do movimento ecológico e suas raízes no romantismo do séc. XIX (PADUA, 2005), até chegar nas mudanças climáticas e no Antropoceno (CHAKRABARTY, 2009). Pensando neste escopo, a Oficina do Historiador lança a chamada de artigos para um Dossiê Temático intitulado “História e Ambiente”, organizado por Caio Flores-Coelho, direcionado a publicar pesquisas históricas que dissertem sobre impactos socioambientais gerados por processos de modernização, industrialização e urbanização, pesquisas que privilegiam biografias de pioneiros na área e investigações sobre relatos de viajantes/naturalistas, assim como relatos de interações entre diferentes agentes que tensionem a dicotomia Cultura x Natureza. Estamos especialmente interessados em receber artigos de pesquisas recentes que investigam a interação entre sociedade e ambiente.

Interessados devem enviar seus artigos através do sistema de login da Revista Oficina do Historiador neste link http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/oficinadohistoriador/index,  até o dia 20/12/2019.

 

BUBLITZ, Juliana. O recomeço na mata: notas para uma história ambiental da colonização alemã no Rio Grande do Sul. História Unisinos, São Leopoldo, V. 12, N. 3, p. 207-218, Set/Dez 2008.

CARVALHO, José Murilo. O motivo edênico no imaginário popular brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, vol. 13, n. 38, Out. 1998.

CHAKRABARTY, Dipesh. The climate of history: four theses. Critical Inquiry, Chicago, V. 35, N. 2, p. 197-222, Inverno de 2009.

LE ROY LADURIE, Emmanuel. Présentation. In: Annales. Économies, Sociétés, Civilisations. 29 année, N. 3, 1974. 

NASH, Roderick Frazier. Wilderness and the American Mind. New Haven and London: Yale University Press, 2014.

PADUA, José A. Herança romântica e ecologismo contemporâneo – Existe um vínculo histórico? Varia Historia, Belo Horizonte, V. 21, N. 33, 2005.

RÜCKERT, Fabiano Q. O saneamento e a politização da higiene no Rio Grande do Sul (1828-1930). 276f. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em História - Universidade do Vale do Rio Caí. São Leopoldo, 2015.

 

***************************************************************************************************************************************************************************************

Dossie: História, Arqueologia e Ontologia

Prazos para submissão: 01/08/2019 à 10/12/2019

Os organizadores Dr. Klaus Peter Kristian Hilbert (PUCRS), Ddos. Filipi Pompeu (PUCRS) e Ana Paula Gomes Bezerra (PUCRS), convidam para publicação de artigos no Dossiê História, Arqueologia e Ontologia. O mesmo visa reunir estudos que versem sobre os materiais e seus múltiplos papéis sociais no tempo, com o foco estabelecido, portanto, nas disciplinas de História, Arqueologia e as questões ontológicas da Filosofia. A atividade social, por mais abstrato que seu estudo e manipulação possa ser, é desempenhada e embasada sobre a sensibilidade da existência física e consequente relação com outras formas físicas estabelecidas - o que podemos conceituar com a devida flexibilidade como 'coisas'. A partir deste largo escopo, diversas abordagens se desenham dado que o espírito do tempo exerce sua força incomensurável sobre tudo que há no mundo. Isto nos obriga a reconsiderar algumas noções tradicionais do pensamento ocidental, onde a História registra a alteração da condição de 'sujeito' para 'coisa' em eterna atualização, e o resultado dessa atividade fica marcado na matéria humana e não-humana que nos rodeia. Os estudos devem cruzar, portanto, as experiências que pessoas, materiais e coisas atravessaram juntos diante de uma perspectiva crítica sobre a relação 'natural' entre estas diferentes entidades que povoam a existência.

Nenhuma notícia publicada.