A tragédia revisitada: uma nova mî(me)se en cène no teatro de Nelson Rodrigues

João Felipe Barbosa Borges

Resumo


A obra de Nelson Rodrigues gira em torno de alguns temas centrais, como amor e morte, sexo e traição, violência e transgressão que, desgastados no cenário teatral europeu e brasileiro, frequentemente apagam seu caráter de originalidade. Contudo, talvez não seja pelo conteúdo, mas pela forma, que o dramaturgo atinja a sua maior inovação. Isso, porque traz ao palco uma tragédia que, ao mesmo tempo em que rejeita seu modelo fundador, rejeita também a tragédia produzida entre os anos de 1880 a 1950, com raras exceções (a exemplo de Brecht, Hauptmann e Pirandello), ainda presa aos preceitos clássicos de objetividade, realidade e verossimilhança, senão nos temas, ao menos na estruturação formal dos conteúdos. Nesse sentido, pretendo identificar, em Vestido de noiva, elementos que afastam a peça rodrigueana do modelo de tragédia tradicional, e instauram uma nova mîse en cène no teatro brasileiro, liberta da prisão formal que representou durante tanto tempo o desejo do real.


Palavras-chave


Teatro brasileiro. Tragédia. Mîse en cène. Nelson Rodrigues. Vestido de noiva.

Texto completo:

PDF

Referências


ARISTÓTELES. “Poética”. In: ARISTÓTELES; HORÁCIO; LONGINO. A poética clássica. 7. ed. São Paulo: Cultrix, 1997, p. 19-52.

AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2004. p. 471-498.

BARTHES, Roland. O rumor da língua. São Paulo: Brasiliense, 1988.

BATALHA, Maria Cristina. Nelson Rodrigues e as obsessões da persona. Revista Ipotesi, Juiz de Fora, v. 11, n. 1, p. 39-47, jan./jun., 2007.

CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio. Trad. de Ivo Barroso. São Paulo: Cia. das Letras, 2006. https://doi.org/10.5433/2237-4876.1999v2n1p199

COSTA, Iná. Alaíde Moreira no purgatório. Praga - Revista de Estudos Marxistas II, São Paulo, p. 69-85, 1997.

GUINSBURG, Jacob et al. Semiologia do teatro. São Paulo: Perspectiva, 1988.

LUKÀCS, Georg. A teoria do romance. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2000.

PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Prefácio à Poética de Aristóteles. In: ARISTÓTELES. Poética. Trad. de Ana Maria Valente. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008. p. 5-31.

RODRIGUES, Nelson. Vestido de noiva. São Paulo: Abril Cultural, 1977.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: veredas. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.

SÓFOCLES. Édipo-Rei. Trad. de Jean Melville. São Paulo: Martin Claret, 2005.

SZONDI, Peter. Teoria do drama moderno [1880-1950]. São Paulo: Cosac & Naif, 2001.

VALÉRY, Paul. Autre Rhumbs. In: VALÉRY, Paul.Oeuvres. Paris: Gallimard, 1960. p. 635-677.

VIDAL, Paulo. Édipo sem complexo, Hamlet edípico. ECOS: Estudos Contemporâneos da subjetividade, Niterói, v. 4, n. 1, p. 76-89, 2014.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-4276.2019.1.27279

ISSN-L: 1982-8527

e-ISSN: 1983-4276

 

Este periódico é membro do COPE (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios. http://www.publicationethics.org

Licença Creative Commons

Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

 Políticas Editoriais das Revistas Científicas Brasileiras. Disponibilidade para depósito: Azul.

  

Copyright: © 2006-2019 EDIPUCRS