Pelas redes da tradução: um estudo do conceito de transcriação, de Haroldo de Campos, no poema “Quisera no meu canto ser tão áspero”, de Dante Alighieri

Ana Carolina Lopes Costa

Resumo


O conceito de tradução aplicado por Haroldo de Campos é uma importante vertente da sua obra. Partindo da noção de Bense, ele defende que a identidade de um texto literário reside na articulação das redes de informação estética, enfatizando que cada texto possui uma ordenação singular de signos. Ao tradutor cabe ler e reescrever essa informação, com os olhos firmados na tradução entendida como crítica e criação (CAMPOS, 2006). Transgressiva, a perspectiva de tradução luciferina (CAMPOS, 2005, p. 180) baseia-se em um gesto de insubmissão ao conteúdo do texto de partida, pensando o exercício de tradução do signo em si. A ideia é tornar o texto de chegada em uma espécie de original, transformando o tradutor em “criador”. Aliás, para Campos, essa seria a única saída, principalmente, no caso da poesia. Esse artigo tem, pois, por objetivo, o estudo dessa vertente de tradução no poema “Quisera no meu canto ser tão áspero”, de Dante Alighieri, transcriação conduzida por Campos. A recriação da “lira pétrea” – esquema singular de rimas que culmina no isomorfismo: mulher/pedra – a melopeia posta a serviço da violência da linguagem etc., convidam-nos a refletir sobre o método de tradução de Campos, percebendo aqui o poeta que habita o fazer do tradutor.


Palavras-chave


Tradução. Haroldo de Campos. Poesia. Transcriação.

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https://doi.org/10.1590/s0100-67622003000500003




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2019.1.32201

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