A variação da vibrante em início de sílaba no português falado na antiga região de colonização italiana do Rio Grande do Sul: em busca de um padrão regional

Priscila Silvano Azeredo Velho

Resumo


O presente artigo analisa resultados de alguns estudos sobre a variação da vibrante realizados em municípios da RCI-RS. Consideramos os resultados de nosso estudo (AZEREDO 2012) no português brasileiro de Flores da Cunha/RS em comparação aos resultados obtidos em outros dois municípios vizinhos, Antônio Prado (CORRÊA 2016) e Caxias do Sul (BOVO 2004), com o propósito de verificar a possibilidade de definir a RCI-RS como uma comunidade de fala. Através do exame dos resultados de nossa análise observamos tanto convergências quanto divergências dialetais no que tange aos fatores condicionadores do processo variável. Também foi possível observar que as variáveis sociais desempenham forte condicionamento sobre a regra variável de realização do tepe em lugar de vibrante. Podemos confirmar apenas parcialmente a hipótese de a RCI-RS ser uma comunidade de fala relevante para a realização da vibrante simples em lugar de múltipla. Nosso estudo mostrou que, a despeito de muitas similaridades e da italianidade compartilhada, as realidades locais, coincidentes com os limites municipais, precisam ser contempladas na análise desse processo variável em específico.


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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2017.1.25075

e-ISSN: 1984-4301 

 

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