A primeira pessoa do plural em Santa Leopoldina/ES: correlação entre alternância e concordância

Camila Candeias Foeger, Lilian Coutinho Yacovenco, Maria Marta Pereira Scherre

Resumo


Analisamos, sob o prisma da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972]), dois fenômenos relativos à primeira pessoa do plural: a alternância nós/a gente e a concordância com o sujeito nós. Focalizamos o papel das variáveis linguísticas tempo verbal e saliência fônica e, também, faixa etária e interação com o entrevistador. O corpus compõe-se por 32 entrevistas tipicamente labovianas (LABOV, 2008 [1972]), pertencentes à Amostra do Português Falado na Zona Rural de Santa Leopoldina/ES. Para a quantificação dos dados, utilizamos o programa GoldVarb X (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005). Verificamos que implementação de a gente é favorecida em contextos de “fuga à não concordância”. Destacamos que (1) nós é favorecido em contextos em que há ambiguidade entre presente e pretérito perfeito: nos casos de não concordância, o morfema -mos marca o pretérito perfeito e ausência de -mos marca o presente; (2) verbos menos salientes favorecem a gente ou a ausência de concordância com nós; (3) homens de 26 a 49 anos são os que mais usam a gente; (4) o uso de nós é mais frequente quando a interação é com a entrevistadora natural da comunidade.


Palavras-chave


Variação nós/ a gente; Concordância verbal; Variedade rural

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2017.1.25067

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