A literatura sob o signo de Caim: os gênios malditos

Gustavo Ramos de Souza

Resumo


O presente ensaio tem por objetivo delinear um percurso mítico e histórico da poesia enquanto maldição, buscando relacionar a parábola de Abel e Caim ao ethos da literatura moderna. Para tanto, em um primeiro momento, a ideia é verificar de que modo os poetas são descendentes de Caim, o fratricida proscrito. Em um segundo momento, buscamos identificar uma relação entre o gênio criador e a melancolia/doença. Por fim, analisando os casos de Balzac e Rimbaud, é possível notar alguns motivos da poesia maldita: orgulho, revolta, satanismo e melancolia. Ressalta-se que ao discurso literário e ao teórico será dado o mesmo valor, ou seja, a poesia assume o estatuto de teoria, e vice-versa.


Palavras-chave


Poetas malditos; Melancolia; Gênio; Romantismo; Modernidade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2015.2.19955

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