Cartas de um sincero fingidor: o discurso esotérico na correspondência de Fernando Pessoa

Fernando de Moraes Gebra

Resumo


O presente artigo centra-se em cartas que Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu de 1913 a 1916, período marcado pelas suas crises intelectuais e esotéricas, e também pela elaboração de projetos culturais necessários por arrancar da estagnação cultural a acanhada capital portuguesa. É desse período importantes cartas marcadas pela sinceridade e pela confissão a destinatários como Armando Côrtes-Rodrigues (1891-1971) e Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), ao contrário do que ocorre nos anos posteriores a 1927, quando Pessoa escreve aos membros da revista Presença, optando por manter informações no plano do segredo. É o que ocorre na conhecida carta a Adolfo Casais Monteiro, escrita em 13 de janeiro de 1935, em que nega pertencer a alguma ordem secreta, ao contrário do que se encontra em um escrito autobiográfico, não publicado em vida. Tomo, como principal referencial teórico para o estudo de cartas, as propostas de Crabbé Rocha, no livro A epistolografia em Portugal. Em muitas das cartas de Pessoa, encontram-se transcrições de poemas. Dessa forma, o estudo das cartas de Pessoa permite a compreensão de aspectos simbólicos e metafóricos contidos nos poemas. Para a análise do discurso esotérico presente nas cartas de Pessoa, parto dos estudos de Manuela Parreira da Silva, Dalila Pereira da Costa e Yvette Centeno.

Palavras-chave


Fernando Pessoa; Epistolografia; Discurso esotérico.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2015.1.19618

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