Narrativas da diáspora feminina contemporânea: uma leitura de Algum lugar, de Paloma Vidal

Joyce Luciane Correia Muzi, Wilma dos Santos Coqueiro, Lúcia Osana Zolin

Resumo


Paloma Vidal, em seu primeiro romance Algum lugar (2009), nos apresenta uma “escrita do eu” que possibilita um passeio por algumas grandes metrópoles modernas ao mesmo tempo em que percorremos as páginas de um diário de uma jovem estudante e professora. Seu texto, marcado pelas referências a obras e autores canônicos, é baseado em reminiscências que fazem da obra uma tentativa de se encontrar e se identificar com espaços, pessoas e outros textos, no passado e no presente. Além disso, a escritora de nacionalidade argentina, mas residente no Brasil desde a infância, problematiza no romance a condição de desterritorialização do migrante que, ao estar situado em outro país, enfrenta a solidão e as consequências da diáspora. O objetivo deste artigo é refletir sobre esse tema que ocupa um lugar central na cena contemporânea, provocada pela mundialização da cultura e que está em foco em obras literárias como a de Paloma Vidal. A autora potencializa os percalços e os enfrentamentos dos sujeitos migrantes que buscam se aproximar de algum lugar, ao alçar como protagonista-narradora uma mulher intelectualizada que empreende essa busca, aliando conteúdo e forma nessa subjetivação dos espaços e da realidade ao redor. Ao mesmo tempo em que há a tentativa de identificação da personagem com os espaços que habita, temos Los Angeles como exemplo de cidade moderna (BERMAN, 2007), que afasta e obriga a viver como mais um andarilho na multidão. As análises respaldam-se em referências oriundas, sobretudo, dos Estudos Culturais como Edward Said (2003), Zygmunt Bauman (1998, 2001) e Stuart Hall (2003).

Palavras-chave


Narrativas da Diáspora; Paloma Vidal; Sociedade Globalizada; Exílio.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-4301.2014.1.16665

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