A Crítica Marxiana da Especulação Filosófica nas Randglossen zu Adolph Wagners "Lehrbuch der politischen Ökonomie"

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Resumo


No presente artigo se expõe sumariamente, através do exame de um de seus exemplos – o texto Glosas Marginais ao Tratado de Economia Política de Adolf Wagner –, alguns dos aspectos principais do modus característico da cientificidade marxiana, exercitada nas obras da fase madura e dedicada à crítica da economia política. Objetiva-se explicitar, com o máximo rigor possível, que o exame crítico do mundo do capital realizado por Marx é uma analítica das formas de ser. Uma análise cujas categorias são formas de ser da efetividade, Daseinsformen, e não puras figuras conceituais. O que se evidencia na crítica feita por Marx da propositura de Adolph Wagner. No curso do exame em questão a analítica marxiana não apenas desnuda as insuficiências do autor supracitado, mas indica a démarche fundamental da cientificidade e da reflexão de Marx, a crítica da especulação filosófica. Crítica essa que se define como contraposição às concepções que identificam ser e pensar, concretude e pensamento, ontologia e método, história e lógica. Exercitada por Marx desde os primeiros momentos de constituição de seu padrão reflexivo, inicialmente voltada a Hegel e seus herdeiros, a crítica da especulação é o arrimo basilar do pensamento marxiano. Nesse sentido, sustenta o pensamento de Marx na direção do descortino das formas de ser da efetividade, da finitude de entes, processos e relações, como coisas por-si. É também objetivo deste escrito explicitar como ela assim permanece mesmo no interior da obra marxiana em sua fase madura.

Palavras-chave


Marxologia, Crítica da Economia Política, Crítica da Especulação Filosófica, Valor

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e-ISSN: 1983-4012


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