A co-pertença entre ser e fundamento em Heidegger

Victor Hugo Oliveira Marques (UFG)

Resumo


Consoante Heidegger, a inferência aristotélica, em certo modo, de por o ser como fundamento, por alguma razão não pode ser prescindida, pelo contrário, o ser dá-se como fundamento. A idéia que passou a representar o ser na qualidade de fundamento, de acordo com Heidegger, foi equivalente a idéia em que os escolásticos representaram Deus. Isto, portanto, assegurou a inserção da noção religiosa de Deus, objeto essencial da teologia, para dentro da filosofia, resultando na transformação da metafísica em onto-teo-logia. Para Heidegger, o ser é aquilo que manifesta o ente enquanto ente. A causa sui, assim pensada, não manifestaria originariamente o fundamento, haja vista que ela se refere ao ente e não ao ser. O que significa dizer que, o fundamento co-pertencente ao ser não pode ser determinado em caráter ôntico, mas deve ser tematizado a partir da diferença ontológica. Sendo assim, a idéia de fundamento em Heidegger é expressa mediante a compreensão do λόγος de Heráclito, i. é, aquele discurso que unifica o que está disperso e deixa chegar à linguagem as coisas tais quais elas se mostram na realidade. O fundamento é, neste âmbito, a unidade ontológica do ente enquanto ente. Há, então, do ponto de vista heideggeriano, não apenas uma inferência de caráter metafísico entre ser e fundamento, todavia, uma co-pertença ontológica, um movimento circular entre ambos, na medida em que, enquanto o ser se dá como fundamento, este, por sua vez, é condição ontológica de sua manifestação.

Palavras-chave


Heidegger. Ontologia. Fundamento.

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e-ISSN: 1983-4012


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