A importância da reflexão arendtiana acerca da crise da autoridade para uma possível interpretação política da sentença nietzscheana "Deus está morto"

José Roberto Carvalho da Silva

Resumo


O esforço consiste em demonstrar a importância da reflexão de Arendt acerca da crise da autoridade para uma possível interpretação política da sentença nietzscheana “Deus está morto”. A pensadora expõe o seu conceito de autoridade na obra Entre o passado e o futuro, no capítulo “Que é autoridade?”, distinguindo-o de persuasão e violência. As duas últimas, respectivamente, necessitam de argumento e força para surtirem algum efeito no mundo, enquanto a autoridade recorre tão-somente à sua própria tradição. Entretanto, segundo o diagnóstico arendtiano, a autoridade entra em crise no mundo moderno, pois se dissolve a tradição na qual ela se ancorava. Com base nisso, o artigo apresenta a crítica de Nietzsche à tradição, considerando a “morte de Deus” como o fim de sua autoridade. Será pensado em Zaratustra como, após a “morte de Deus”, o homem moderno encontra para este um substituto. Trata-se do Estado que, sem uma tradição para legitimar sua autoridade, de autoritário passa a ser totalitário.

Palavras-chave


Autoridade. Estado. Crise. Morte de Deus.

Texto completo:

PDF

Referências


ARENDT, H. “Que é autoridade?”. In: ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. Ed. São Paulo: Perspectiva, 2005, p. 127-187.

NIETZSCHE, F. Humano demasiano humano I: um livro para espíritos livres. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

_______. Assim falou Zaratustra. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

_______. A gaia ciência. Tradução de Paulo César de Souza. 1ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

PLATÃO. “Político”. Tradução de Jorge Paleikat e Jão Cruz Costa. In: PLATÃO. Diálogos: O banquete – Fédon – Sofista – Político. Tradutor. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1972, p.206-269 (Coleção Os pensadores).

_______. A República. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Abril Cultural, 1997.

SLOTERDIJK, P. No mesmo barco: ensaio sobre a hiperpolítica. Tradução de Claudia Cavalcanti. São Paulo: Estação Liberdade, 1999.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-4012.2018.2.31961

e-ISSN: 1983-4012


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.