Patrimônio, mudanças e memórias traumáticas: a Arqueologia da Repressão e da Resistência

Rita Juliana Soares Poloni, Pedro Paulo Abreu Funari, Darlan de Mamann Marchi

Resumo


O presente artigo tem por objetivo discutir a importância do domínio da Arqueologia da Repressão e da Resistência, em contexto brasileiro e latino-americano, contextualizando a emergência do campo a partir da sua conjuntura histórica e das discussões contemporâneas no âmbito dos Estudos Patrimoniais e da Arqueologia do Presente. Ressalta-se a importância conceitual da mudança no âmbito dos três campos abordados, como justificativa para a emergência de reivindicações de novos atores sociais e de novas interpretações acerca do Patrimônio, que colocam a discussão do estudo e patrimonialização de sítios relacionados a memórias traumáticas (POLLAK, 1989; JELIN, 2001) em lugar de protagonismo na busca por Justiça e Verdade na contemporaneidade.


Palavras-chave


Arqueologia. Ditaduras. Memórias difíceis. Novos atores.

Texto completo:

PDF

Referências


ALARCON JIMENEZ, Andres. Antropologia, Arqueologia e usos do passado durante a Guerra Fria. Regimes autocráticos, militares e pseudodemocráticos, o instituto colombiano de antropologia e seus modelos de colombiano, 1950-1966. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 45-74 jan. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635638

ASSMANN, Jan. Das kulturellegedachtniss. Munich: C. H. Beck, 1992. https://doi.org/10.17104/9783406703409

AUGÉ, Marc. Los no lugares: Espacios del anonimato, una antropología de las obremodernidad. Barcelona: Gedisa, 2002 (1992).

BAHN, P. Archaeology: a very short introduction. Oxford: Oxford University press, 2000.

BARETTA, Jocyane Ricelly. Arqueologia e a construção de memórias materiais da Ditadura Militar em Porto Alegre/RS (1964/1985). 2015. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2015. Disponível em: https://bit.ly/2AMGdND. Acesso em: 29 ago. 2018.

BERRY, D. The Computational Turn: Thinking About The Digital Humanities. Culture Machine, Brighton, v. 12, p. 1-22, 2011.

BERRY, David M. Post-digital humanities: computation and cultural critique in the arts and humanities. Educause, v. 49, n. 3, p. 22-26, 2014.

BIELOUS, Silvia Dutrénit. Los Equipos de Antropología forense en América Latina: Coadyuvantes en el camino de la verdad y la justicia. Red Universitaria sobre Derechos Humanos y Democratización para América Latina, ano 2, n. 3, p. 25-53, abr. 2012. Disponível em: https://bit.ly/1TJdEpp. Acesso em: 14 jan. 2019.

CONNERTON, Paul. Seven types of forgetting. Memory studies, v. 1, n. 1, p. 59-71, 2008. https://doi.org/10.1177/1750698007083889

DERRIDA, Jacques. Mal de Arquivo: uma impressão freudiana. Trad. Claudia de Moraes Rego. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.

DÍAS-ANDREU, M.; CHAMPION, T. (org.). Nationalism and Archaeology in Europe. Colorado: Westview Press, 1996.

FERMÍN, Maguire, Pedro Pablo. Cantoria dos prisioneiros: documentos, materialidade e memórias dos campos de concentração de Muros, A Coruña. 2015. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2015.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. São Paulo: Ática, 2002[1975].

FOUCAULT, M. 2009 [1967]. “Los espacios otros”. Cuatro Tap Anteproyecto. Disponível em: http://twixar.me/JcR3. Acesso em: 3 jan. 2015.

FREUD, S. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

FUNARI, Pedro Paulo A. Archaeology in Brazil: politics and scholarship at a crossroads. World Archaeological Bulletin, v. 5, p. 123-132, 1991.

FUNARI, Pedro Paulo A. Mixed features of archaeological theory in Brazil. In: UCKO, Peter (org.). Theory in archaeology: a world perspective. London: Routledge. 1995. p. 237-250.

FUNARI, Pedro Paulo A. Class interests in brazilian archaeology. International Journal of Historical Archaeology, [s. l.], v. 6, n. 3, p. 209-216, 2003.

FUNARI, Pedro Paulo A. Arqueologia. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006.

FUNARI, Pedro Paulo A. Arqueologia e patrimônio. Erechin: Habilis, 2007.

FUNARI, Pedro Paulo A.; ZARANKIN, Andrés; REIS, José Alberioni (org.). Arqueologia da Repressão e da Resistência na América Latina na Era das Ditaduras (Década de 1960-1980). São Paulo: Annablume; Fapesp, 2008.

FUNARI, P. P. A.; PELEGRINI, S. Patrimônio Histórico e Cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2014.

FUNARI, P. P. A.; MOURAD, T. Stewards of empire: heritage as colonial booty. Herótodo, v. 2016, p. 36-53, 2016.

FUNARI, P. P. A.; POLONI, R. J. S. Nacionalismo e ciência: Arqueologia, imperialismo e Estado Novo em contexto lusobrasileiro. In: COSTA, Cléria Botêlho da; RIBEIRO, Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante. (org.). Fronteiras Móveis: Territorialidades, migrações. Belo Horizonte: Fino Traço, 2016. p. 283-300.

GALLO, Carlos Artur. A Comissão Nacional da Verdade e a reconstituição do passado recente brasileiro: uma análise preliminar da sua atuação. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 20, n. 39, p. 327-345, jan. 2015.

GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. Tradução de Carlos Nelson Coutinho com a colaboração de Luiz Sergio Henriques e Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. v. 5.

GONZALEZ-RUIBAL. A. Time to destroy. Current anthropology, Chicago, v. 49, n. 2, p. 247-79, 2008. https://doi.org/10.1086/526099

GURVEN, M.; HILL, K. Why Do Men Hunt?: A Reevaluation of “Man the Hunter” and the Sexual Division of Labor, Current Anthropology, [s. l.], v. 50, n. 1, p. 51-74, Feb. 2009. https://doi.org/10.1086/595620

GRUPO DE ESTUDOS JUSTIÇAS DE TRANSIÇÃO LATINO-AMERICANAS E CONSTITUCIONALISMO DEMOCRÁTICO – FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Resistir sempre: ditadura nunca mais: 50 anos do Golpe de 64: justiça de transição. Belo Horizonte: Assembleia Legislativa de Minas, 2014. Disponível em: https://bit.ly/2VTfOqy. Acesso em: 8 jan. 2018.

HARTOG, F. Como escrever a história da França Hoje? História Social, Campinas, n. 3, p. 127-154, 1996.

HARTOG, F. Régimes d’historicité: Présentisme et expériences du temps. Paris: Le Seuil, 2003.

HARTOG, François. Temporality and patrimony. Varia história, Belo Horizonte, v. 22, n. 36, p. 261-273, 2006. https://doi.org/10.1590/S0104-87752006000200002

IGLESIAS-UTSET, M. Los Despaigneen Saint-Domingue y Cuba: narrativa micro histórica de una experienciaatlántica. Revista de Indias, Madrid, v. 71, n. 251, p. 77-108, 2011. https://doi.org/10.3989/revindias.2011.004

IZQUIERDO, Iván; BEVILAQUA, Lia RM; CAMMAROTA, Martín. A arte de esquecer. Estudos avançados, São Paulo, v. 20, n. 58, p. 289-296, 2006. https://doi.org/10.1590/S0103-40142006000300024

JELIN, Elizabeth. La lucha por elpasado. Buenos Aires: Siglo XXI Editores, 2017.

JELIN,Elizabeth. Los trabajos de la memoria. España: Siglo Veintiuno editores, 2001.

JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das Cidades. São Paulo: Casa da Palavra, 2005.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.

LATOUR, Bruno. Aramis, or The love of technology. Cambridge: Mass., and London: Harvard University Press, 1996.

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru: EDUSC, 2001.

LATOUR, Bruno; WOOLGAR, Steve. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1997.

LAVOREL, Marie. Patrimonialiser les mémoires sensibles. Héritage culturel et muséologie. Université d’Avignon. Tese (Doutorado em Museologia, Mediação e Patrimônio) – Escola de Ciências Sociais, Universidade de Quebec, Canadá, 2014. p. 10.

MACDONALD, Sharon. Memorylands: Heritage and identity in Europe today. Routledge, 2013.

MACHADO, Monica. A teoria da antropologia digital para as humanidades digitais. Revista Z Cultural (UFRJ), Rio de Janeiro, v. 02, p. 1-7, 2018.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifest der kommunistischespartei. Amsterdan: Metalibri, 1848 [2008]. Disponível em: https://bit.ly/2QQWZ3E. Acesso em: 15 jan. 2018.

MECHI, P. S. JUSTAMAND, M. Arqueologia em Contexto de Repressão e Resistência: a Guerrilha do Araguaia. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], 108-120, Jan. de 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635642

MORAES, T. V. A preservação arqueológica e a redemocratização: um breve estudo de caso luso-brasileiro. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 122-143, 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635643

NORA, P. Les Lieux de mémoire. Paris, Gallimard, 1984.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Revista Estudos Históricos, v. 2, n. 3, 3-15, jun. 1989. Disponível em: https://bit.ly/1OAe3U5. Acesso em: 14 jan. 2019.

POLONI, R. J. S. Caminhos e descaminhos no Atlântico Científico: Arqueologia e Estado novo em contexto lusobrasileiro. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 145-159, 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635653

POLONI, R. J. S. A autoridade através dos vestígios: a arqueologia na Missão Antropológica de Timor, 1953. Anuário Antropológico, Brasília, p. 109-132, 2017. Disponível em: https://bit.ly/2RwlHLQ. Acesso em: 14 jan. 2019. https://doi.org/10.4000/aa.1944

POULOT, D. Naissance du monument historique. Revued’histoire moderne et contemporaine, [s. l.], T. 32e, n. 3, p. 418-450, jul. 1985. https://doi.org/10.3406/rhmc.1985.1326

POULOT, Dominique. “le patrimoine des musées: pour l’histoire d’une rhétorique révolutionnaire”. Genèses, [s. l.], n. 11, p. 25-49, 1993. https://doi.org/10.3406/genes.1993.1170

ROLLEMBERG, D. Resistência: memória da ocupação nazista na França e na Itália. São Paulo: Alameda, 2016.

SALADO, M. y FONDEBRIDER, L. “El desarrollo de la antropología forense en Argentina”. Cuadernos de Medicina Forense, [s. l.], v. 14, n. 53-54, p. 213-221, 2008. https://doi.org/10.4321/S1135-76062008000300004

SCHINDEL, Estela. Inscribir el pasado en el presente: memoria y espacio urbano. Política y cultura, Xochimilco, n. 31, p. 65-87, 2009.

SHANKS, M.; TILLEY, C. Re-constructing archaeology. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

SHIPMAN, P. Scavenging or Hunting in Early Hominids: Theoretical Framework and Tests. American Anthropologist, n. 88, p. 26-43, 1986. https://doi.org/10.1525/aa.1986.88.1.02a00020

SILBERMAN, N. Discovering Authenticity, Getting to the heart of places that matter. Disponível em: https://bit.ly/2W386dA. Acesso em: 10 mar. 2016.

SMITH, Laurajane. Uses of heritage. London e New York: Routledge, 2006. https://doi.org/10.4324/9780203602263

SOARES, V. P. S. Novas perspectivas para a arqueologia da repressão e da resistência no Brasil depois da Comissão Nacional da Verdade. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 177-194, jan. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635655

SOUZA, P. P. Memória, objetos e edifícios: uma análise arqueológica sobre o edifício que sediou o Deops/SP. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 195-212, jan. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635656

SOUZA, R. de A e. Arqueologia e a Guerrilha do Araguaia ou a Materialidade contra a não-narrativa. Revista de Arqueologia Pública, Campinas, v. 8, n. 2[10], p. 213-230, 2014. Disponível em: https://bit.ly/2Fu5al0. Acesso em: 8 jan. 2018. https://doi.org/10.20396/rap.v8i2.8635658

SPENCER, A. S.; KIRCHHOFF, Bruce A.; WHITE, Craig. Entrepreneurship, Innovation, and Wealth Distribution: The Essence of Creative Destruction. International Small Business Journal, [s. l.], v. 26, n. 1, p. 9-26, 2008. https://doi.org/10.1177/0266242607084657

TAUBER, C. Entre “vandalisme” et normalisation, L’abbé Grégoire et la politique culturel. Le Jacobine, Francia, n. 37, p. 465-481, 2010.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2019.3.33044

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

e-ISSN: 1980-864X | ISSN-L: 0101-4064


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.