São Tomé e Príncipe: reflexões sobre alguns aspectos de sua história agrícola no pós-independência

Marina Berthet

Resumo


O artigo proposto para o dossiê apresenta reflexões sobre aspectos da história agrícola do país no momento da independência e no pós-independência. A perspectiva escolhida apresentou-se como pertinente para refletir sobre a política do país durante as décadas que seguiram a Independência. As relações estabelecidas entre os membros do governo independente e os trabalhadores agrícolas, as ambivalências do discurso político governamental no momento da nacionalização das terras e sua distribuição são abordados aqui para um balanço sobre a Independência com data oficial de comemoração em 12 de julho de 1975. Procuro demonstrar que as diversas propostas políticas aplicadas ao setor agrícola levaram a uma acentuação da invisibilidade de minorias – principalmente a mão de obra imigrante – que são eventualmente reconhecidas como atores chaves da história agrícola de São Tomé e Príncipe. A gestão da distribuição da terra após a nacionalização do território provocou tensões sociais que acirraram reivindicações identitárias e evidenciaram a consolidação de determinados atores sociais na esfera do poder político. Notas de trabalhos de campo efetuados em 1999-2000 e 2003-2004 e algumas fontes primárias e secundárias enriquecem o texto de informações e auxiliam na argumentação das principais ideias.


Palavras-chave


São Tomé e Príncipe; Nacionalização das terras; Reforma Agrária; Independência

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2016.3.23107

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