O déspota e os escravos: a alteridade brasileira na independência do Uruguai (1821-1828)

Murillo Dias Winter

Resumo


A independência do Brasil possibilitou novos arranjos políticos na Província Cisplatina, território em disputa desde o período colonial entre os impérios ibéricos e, posteriormente, entre as forças brasileiras e buenairenses na Guerra da Cisplatina. Nessa complicada relação entre diversos grupos, identidades e alteridades, o conflito entre Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, possibilitou a emergência de novos elementos de diferenciação e identificação ligados aos dois principais envolvidos na contenda, todavia, principalmente, colocou em evidência a orientalidade herdada de José Gervásio Artigas, nesse momento abrangendo todo o território, inclusive a capital Montevidéu, elemento fundamental no posterior discurso de legitimação da Nação independente da República Oriental do Uruguai, que proponho, teve no Brasil um importante contraponto e elemento de diferenciação externa e aproximação interna. Elementos a serem analisados no presente trabalho.

Palavras-chave


Alteridade. Brasil. Guerra da Cisplatina.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2014.2.18258



e-ISSN: 1980-864X | ISSN-L: 0101-4064


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