* Dossiê: Direitos Humanos, História e Memória (1968-2018)

Desde os anos de 1960, o tema dos Direitos Humanos tem sido progressivamente incoporado no campo político como uma questão central nas sociedades contemporâneas. O que é surpreendente, em particular, é seu caráter transnacional. No século XX, em um mundo ainda dividido politicamente pela Guerra Fria, os movimentos que pretendiam defender os Direitos Humanos se multiplicaram tanto no mundo comunista quanto nos países Ocidentais. Na União Soviética e na Europa Oriental, eles tomaram a forma de dissidência. Na América Latina, eles se alimentaram das resistências às ditaduras civis e militares instaladas na região a partir da década de 1960. Assim, podemos formular a seguinte hipótese: no mundo ocidental, o tema dos Direitos Humanos tem vindo a preencher o vácuo criado pelo declínio das ideologias revolucionárias "clássicas" depois dos anos de 1970; no mundo comunista, o tema é necessário a partir do momento em que, especialmente após a invasão da Tchecoslováquia, a esperança de uma possível reforma democrática do sistema comunista se dissipa e é gradativamente abandonada pelos grupos de oposição nessas sociedades. Devemos também ter em conta o impacto das mudanças no mundo Católico ( Concílio do Vaticano II, etc.) e a importância do ecumenismo no debate. A proposta desse dossiê é abordar as múltiplas temáticas e objetos em torno dos Direitos Humanos no campo da História e demais áreas das Ciências Humanas, incluindo pesquisas comparativas, transnacionais e experiências nacionais dedicadas a esse conjunto de direitos que mobilizam projetos políticos distintos.