Literatura e memória: configuração estética da obra De mim já nem se lembra, de Luiz Ruffato

Daniele Cristina da Silva, Walnice Aparecida Matos Vilalva

Resumo


De mim já nem se lembra (2016), de Luiz Ruffato, é um romance epistolar que apresenta assuntos caros ao seu autor, quais sejam, as memórias familiares. No presente artigo, situando-o em uma produção literária contemporânea, propor-se-á um diálogo sobre a multiplicidade de vozes que ressoam juntamente com os discursos dos narradores e que contribuem para a construção estética da obra. Na primeira parte do artigo, apresentar-se-á uma breve reflexão sobre a origem do gênero romanesco e seu desdobramento em romance epistolar para, então, discutir sobre a figura do narrador e sua configuração na obra em questão, sem a pretensão de esgotar as possibilidades de leituras sobre essa figura tão cara à narrativa. Posteriormente, aprofundar-se-á na análise do romance, evidenciando suas particularidades quanto à configuração das memórias familiares, tendo como principal recurso a concepção bakhtiniana do plurilinguíssimo no romance. Dessa forma, será evidenciado o modo como as categorias tempo e espaço são relativizadas no universo romanesco destacando, assim, a engenhosidade da obra.


Palavras-chave


literatura contemporânea; romance; memórias.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7726.2018.4.31316

e-ISSN: 1984-7726 | ISSN-L: 0101-3335


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