Deslocamentos do imperativo visual em recortes do feminino

Luciana Abreu Jardim

Resumo


Possíveis aproximações entre Ética e Literatura deveriam ser pensadas a partir dos desdobramentos propostos pelo questionamento da metafísica da presença, de Da gramatologia, ponto central do pensamento derridiano. Para escrever para além da metafísica da presença, abalada por Jacques Derrida, deve-se sair da saturação de visibilidade contemporânea, de modo a buscar novas experiências com a linguagem. A modalidade linguística do semiótico, por exemplo, de acordo com o modelo linguístico de Julia Kristeva (A revolução da linguagem poética), propõe uma experiência na qual aspectos da vida escrita sejam capazes de produzir sentidos sutis, sempre em copresença com a modalidade do simbólico. Nesse contexto teórico, alguns fragmentos textuais de Clarice Lispector, os quais podem ser lidos ao lado do elenco de pensadoras do gênio feminino segundo Kristeva, pavimentam o caminho para algo diferente da timpanização flagrada por Derrida. Assim, este ensaio apresenta uma leitura dos caminhos oblíquos que conduzem às tensões entre a sensação e o pensamento, no cruzamento entre Ética e Estética, sugerindo alguns recortes textuais característicos da singularidade da escrita produzida por mulheres.


Palavras-chave


Ética; Literatura; Escrita feminina

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