Dicção individual e intervenção pública em “Três sonetos positivos” de Joaquim Cardozo

Everton Barbosa Correia

Resumo


Devido ao lugar impreciso que Joaquim Cardozo ocupa na historiografia literária
brasileira, a exploração de sua obra aqui estará circunscrita ao raio de alcance de uma possível expressão individual, recortada em três sonetos qualificados pelo mesmo adjetivo:“positivos”. Com isso, a positividade da qualificação textual deverá se converter em especulação sobre o sentido construído circunstancialmente naquela composição, que é tripartida e se desdobra na reflexão sobre o vocabulário do autor, notadamente pela utilização modalizada do adjetivo. Assim, os três sonetos serão considerados como instrumentos de acesso ao estilo do autor através do léxico utilizado. O soneto seria, pois, o cenáculo através do qual se materializa uma expressividade singular, mais facilmente identificável pelos limites da forma fixa, mas que deverá sinalizar algo da sua obra como um todo, onde o ritmo, a métrica, o vocabulário e o fraseado dos seus versos adquirem outros contornos, já que sofrem interferência de outras condicionantes. Óbvio está que a utilização da forma fixa por Cardozo desestabiliza o sentido do próprio soneto, vincando-se a seu modo na tradição.


Palavras-chave


Joaquim Cardozo; Poesia brasileira moderna; Soneto; Adjetivo; Estilo

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7726.2018.2.29467

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