Fatores associados às enteroparasitoses em crianças usuárias de creches comunitárias

Taize Cristina Fonseca, Fabrízio Furtado Sousa, Fábio Peron Carballo, Alysson Rodrigo Fonseca, Denise Maria Rover da Silva Rabelo

Resumo


Objetivo: Este trabalho teve como objetivo principal avaliar os fatores de risco associados à presença de enteroparasitoses em crianças usuárias de duas creches comunitárias do município de Divinópolis (MG).

Materiais e Métodos: Neste estudo prospectivo, exploratório e transversal, foram coletadas amostras de fezes de 86 crianças e estas foram analisadas através do método de Hoffman, Pons e Janer. As informações familiares e socioeconômicas das crianças foram obtidas através de um questionário. As condições higiênico sanitárias das creches foram analisadas através de observação estruturada.

Resultados: A prevalência de enteroparasitoses encontrada foi de 15,1%, sendo estas ocasionadas pelos protozoários Giardia lamblia (58,4%) e Entamoeba coli (41,6%), não sendo observada infecção por helmintos. Foram identificados alguns fatores de risco associados à presença de parasitoses intestinais, como a baixa escolaridade da mãe (p=0,048), a presença de animais domésticos em casa (p=0,028), o tempo de gestação inferior a 36 semanas (p=0,022) e o tempo de amamentação inferior a seis meses (p=0,009). As condições higiênico sanitárias das creches foram consideradas adequadas.

Conclusão: Os resultados demonstram que características familiares estão relacionadas à ocorrência de enteroparasitoses em crianças e reforça a necessidade da educação/conscientização dos pais como fator essencial no controle dessas doenças.


Palavras-chave


fatores de risco; doença parasitária; criança.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-652X.2018.1.27909

 

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