Impacto da lombalgia nas atividades de vida diária e na qualidade de vida de gestantes

Poliana de Jesus Santos, Sarah Lísia da Silva, Guilherme Rodrigues Barbosa, Ana Silvia Moccellin

Resumo


Objetivo: Analisar a quantidade de gestantes com queixa de lombalgia gestacional, as características da dor relatada, identificar o impacto nas atividades de vida diária e relacionar o grau de incapacidade funcional com a qualidade de vida em gestantes do primeiro e segundo trimestres gestacionais.
Materiais e Métodos: Estudo observacional descritivo, do tipo transversal, realizado com gestantes atendidas em uma Maternidade do município de Lagarto/SE. Para avaliação da incapacidade provocada pela lombalgia utilizou-se o questionário de Roland-Morris e para avaliação da qualidade de vida o Medical Outcomes Study-36.
Resultados: A amostra foi dividida nos grupos primeiro (GI; n=19) e segundo trimestre gestacional (GII; n=19). A prevalência de lombalgia foi 84,2% GI e 78,9% GII (p=0,334). A dor teve inicio durante a gestação em 75% no GI e 73,3% no GII (p=0,784). Quanto aos fatores que agravavam a dor, 62,5% no GI e 33,3% no GII relataram ficar na mesma posição. Para diminuir a dor, o repouso foi o mais citado nos dois grupos (p<0,001). No questionário Roland-
Morris, a média do escore total foi 7,16±4,80 para o GI e 7,79±5,55 GII. Na avaliação da qualidade de vida, os domínios mais afetados negativamente foram à vitalidade no GI (51,32±21,27) (p=0,484) e limitação por aspectos emocionais no GII (52,63±43,48) (p=0,623). Os menos afetados foram capacidade funcional no GI (70±29,11) (p=0,784) e aspectos sociais no GII (73,68±32,78) (p=0,661).
Conclusão: A lombalgia gestacional atinge principalmente mulheres jovens e primigestas, interfere na vitalidade e aspectos emocionais, gerando impacto nas atividades de vida diárias. No entanto, a dor não torna as mulheres incapacitantes durante os dois primeiros trimestres gestacionais.


Palavras-chave


dor lombar; gravidez; atividades cotidianas; qualidade de vida.

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