Pressão do cuff em pacientes em ventilação mecânica – relação com a mudança de decúbito

Elenice Gomes Ferreira, Poliana Rickli, Ênio Teixeira Molina Filho, Jefferson Fischer, Mateus Dias Antunes, Jose Roberto Andrade do Nascimento Júnior, Daniel Vicentini de Oliveira

Resumo


Objetivo: Verificar a pressão intra-cuff de pacientes sob ventilação mecânica e a relação com a mudança de decúbito.
Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo transversal. Para a verificação da pressão intra-cuff foi adaptado um cufômetro através de um manômetro, tendo como referência a pressão de 20 mmHg. No primeiro dia, inicialmente foi mensurada a pressão intra-cuff com o paciente em decúbito dorsal com cabeceira a 30º, seguido do decúbito lateral de costa para o ventilador e na sequencia o decúbito lateral de frente ao ventilador. Do segundo ao quinto dia foi verificada a pressão somente em decúbito dorsal com cabeceira a 30º. Para a análise dos dados foram utilizados os testes de Kolmogorov-smirnov e os testes t de Student independente e dependente (p<0,05).
Resultados: Nos cinco dias consecutivos de verificação da pressão intra-cuff na posição de decúbito dorsal observou-se que estas estavam levemente diminuídas comparadas ao valor de referência, onde o terceiro dia foi verificado a menor pressão (16,4±15,1). Ao realizar a mudança de decúbito notou-se que as pressões intra-cuff apresentaram variações acima ou abaixo de 20 mmHg, que ao analisar a diferença entre as médias das pressões foram estatisticamente significativas (p=0,001) e (p=0,014). O decúbito lateral de costa para o ventilador apresentou-se com valores pressóricos dentro do referencial (20,3±6,5), enquanto houve diminuição no decúbito de frente para o ventilador (18,1±4,8).
Conclusão: Conclui-se que as médias das pressões intra-cuff em cinco dias consecutivos apresentaram-se diminuídas. Apenas no quinto dia as pressões mantiveram-se em valores considerados normais e a mudança de decúbito influenciou significativamente na alteração desta pressão.


Palavras-chave


serviço hospitalar de fisioterapia; unidades de terapia intensiva; respiração artificial

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-652X.2017.2.24617

 

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