Avaliação da apraxia em nonagenários: dados de um ambulatório de geriatria

Juliana Francisca Cecato, José Eduardo Martinelli

Resumo


Introdução: Apraxia é comumente descrita como um sintoma da doença de Alzheimer (DA). Seu aparecimento em pacientes nonagenários é pouco conhecida.
Objetivo: Avaliar e comparar o desempenho de nonagenários portadores de DA e idosos não portadores em subtestes para apraxia.
Materiais e Métodos: Foram avaliados 78 indivíduos, com graus variados de escolaridade e com 90 anos ou mais de idade, por meio de Miniexame do Estado Mental (MEEM), Cambridge Cognitive Examination (CAMCOG) e o Questionário de Atividades Funcionais de Pfeffer (QAFP). Para analisar a presença de apraxia, foram selecionados oito subitens do CAMCOG: os desenhos do Pentágono, da espiral, da casa, do relógio, e também a tarefa de colocar um pedaço de papel em um envelope; avaliação dos movimentos corretos com uma mão para dar “adeus”, cortar papel com uma tesoura e escovar os dentes. O diagnóstico da DA foi estabelecido de acordo com o National Institute of Neurological and Communicative Disorders and Stroke and The Alzheimer’s disease and Related Disorders Association (NINCDS-ADRDA). 
Resultados: Encontrou-se para o MEEM média de 18,48 pontos, para o CAMCOG 59,94 pontos e nos subitens Apraxia 8,65 pontos no grupo que recebeu diagnóstico de DA, enquanto que os sem DA (grupo controle) apresentou média no MEEM de 26,15 pontos, CAMCOG 82,23 pontos e Apraxia de 9,96 pontos. Estas diferenças são estatisticamente significativas entre os grupos nos testes, respectivamente, p<0,0001, p<0,0001 e p=0,007. Um coeficiente de correlação moderado negativo e significativo pode ser encontrado entre Apraxia e QAFP (r=-0,51; p=0,0003).
Conclusão: A presença de apraxia em nonagenários mostrou valores significativamente maiores naqueles portadores de DA em relação aos não portadores. 


Palavras-chave


apraxias; testes neuropsicológicos; idoso; doença de Alzheimer; nonagenários.

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