Produtos processados e ultraprocessados e ingestão de nutrientes em crianças

Giovanna Tedesco Barcelos, Fernanda Rauber, Márcia Regina Vitolo

Resumo


Objetivo: Avaliar a ingestão de produtos alimentícios processados e ultraprocessados entre crianças de baixa condição socioeconômica e sua influência na ingestão de energia, macronutrientes, sódio e fibras.

Materiais e Métodos: Estudo transversal com dados de crianças de 7-8 anos que participaram de um ensaio de campo randomizado realizado em São Leopoldo/RS. Foram coletados dados socioeconômicos e familiares e realizados dois inquéritos recordatórios de 24 horas. A avaliação do consumo de produtos alimentícios pelas crianças foi obtida por meio da classificação dos alimentos que considera o grau de processamento utilizado na produção. A quantidade em gramas e a estimativa da energia proveniente dos produtos alimentícios foram obtidas e os tercis do percentual de energia total da dieta proveniente desses produtos foram utilizados nas análises.

Resultados: Foram avaliados os dados de 307 crianças. A média de energia da dieta proveniente de produtos alimentícios processados e ultraprocessados representou 48,6% da energia total consumida pelas crianças. Entre as crianças no maior tercil de percentual de energia da dieta proveniente destes produtos alimentícios, o consumo de energia, carboidratos, gorduras totais, saturadas e sódio foi maior que nos demais tercis, enquanto o consumo de proteínas e fibras foi menor (p<0,05).

Conclusão: Entre crianças escolares de baixa condição socioeconômica, o consumo de produtos alimentícios processados e ultraprocessados representaram aproximadamente 50% da energia diária consumida, sugerindo risco para desenvolvimento de obesidade e doenças associadas visto que o consumo desses produtos foi associado a dietas com mais energia, gorduras e sódio e menor teor de proteínas e fibras.


Palavras-chave


alimentos industrializados; crianças; ingestão de energia

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