Variações anatômicas na porção posterior do polígono de Willis

Raiza Luna Peixoto, Débora de Araujo Paz, João Luiz de Oliveira Gadelha Dantas, Maurus Marques de Almeida Holanda

Resumo


Introdução: O encéfalo é vascularizado pelas artérias carótidas internas e vertebrais que, na base do crânio, formam um polígono anastomótico, o círculo arterial cerebral (CAC), também conhecido como polígono de Willis, fundamental para a irrigação cerebral. É frequente a ocorrência de variações anatômicas no CAC, muitas das quais se correlacionam ao surgimento de doenças cerebrovasculares.
Objetivos: O estudo objetivou identificar a prevalência das variações anatômicas das artérias da porção posterior do CAC com base em dados obtidos no exame necroscópico de cadáveres humanos do Serviço de Verificação de Óbitos localizado na Universidade Federal da Paraíba.
Materiais e Métodos: Foram dissecados 30 hemisférios cerebrais de cadáveres humanos de ambos os sexos, entre 18 e 70 anos. Posteriormente foram estudadas a circulação vértebro-basilar e a carotídea interna.
Resultados: Observou-se uma taxa de variação anatômica de 60% na circulação cerebral posterior. O hemisfério cerebral mais acometido por anormalidades foi o direito. As variações anatômicas foram mais prevalentes na artéria comunicante posterior e o tipo de variação anatômica mais freqüente foi a hipoplasia.
Conclusão: O conhecimento das peculiaridades das variações anatômica do CAC é fundamental, devido a sua grande prevalência. O seu estudo é imprescindível na compreensão do surgimento de doenças cerebrovasculares, como os aneurismas, na realização de procedimentos microvasculares reconstrutivos, bem como no fornecimento de informações essenciais nas avaliações radiológicas.


Palavras-chave


Círculo de Willis. Variação anatômica. Artéria basilar.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-652X.2015.1.17217

 

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