Convivência acadêmica e formação humana: dimensões de socialização no Ensino Superior

Nilda Stecanela, Lucas Josias Marin

Resumo


O texto objetiva promover uma discussão sobre o conceito de convivência acadêmica e sua importância nos percursos da formação humana em nível de educação superior. A reflexão proposta busca sustentação teórica na teoria levinasiana da alteridade e dialoga com as contribuições de Buber e Melucci sobre a relação e o processo de indentização do Eu. O cenário e dados empíricos da pesquisa que origina o texto consideram as concepções de convivência acadêmica expressas de modo direto e indireto em duas versões do Plano de Desenvolvimento Institucional de uma Instituição Comunitária de Ensino Superior. Análise documental e análise de conteúdo foram os procedimentos evocados para a construção dos dados. Na tessitura do argumento contemplamos que a aprendizagem também se faz a partir da relação que os indivíduos estabelecem entre si e o seu entorno, caracterizando um processo de socialização que colabora na formação humana, numa dimensão de abertura e acolhimento do Outro. Nos achados do estudo, concluímos que a socialização ocorre em quatro dimensões: contraposição, onde não há aceitação do Outro; coexistência, onde o Outro coabita no mesmo ambiente, porém não há relação; inclusão, nível em que o Outro tem suas necessidades atendidas para permanecer no mesmo ambiente, porém não há relação e; convivência, nesse nível o Outro é aceito e acolhido na sua diferença, há relação.


Palavras-chave


Convivência acadêmica. Educação Superior. Formação humana. Universidade comunitária.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1981-2582.2018.1.29552




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