Gênero como categoria de análise decolonial

Camilla de Magalhães Gomes

Resumo


Qual a função e o papel do gênero? Qual o significado do uso desse termo não apenas para os movimentos feministas, mas para a produção de conhecimento? Por que usar o gênero como categoria de análise para se pensar o “humano”? Busco aqui pensar, cerca de 30 anos depois da publicação do texto cânone de Joan Scott, o que significa usar o gênero como categoria de análise quando perspectivas como a decolonialidade nos mostraram que o gênero pode ser uma forma de colonialidade e pode produzir discursos que escondem a multiplicidade da vivência das relações fora do sistemamundo da colonial modernidade. Sustento ser o gênero uma categoria de análise capaz de desestabilizar o que é ser homem ou ser mulher apenas quando percebido não como uma categoria primária, secundarizando a raça, mas como categoria junto a ela produzida.


Palavras-chave


Gênero. Feminismo. Decolonialidade. Raça

Texto completo:

PDF

Referências


BADINTER, Elisabeth. Rumo equivocado: o feminismo e alguns destinos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

BAIRROS, Luiza. Nossos feminismos revisitados. Revista de Estudos Feministas, v. 3, n. 2, p. 458-463, 1995.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

BENTO, Berenice. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

BUTLER, Judith. Speaking up, talking back: Joan Scott’s critical feminism. In: Judith Butler; Elizabeth Weed (eds.). The question of gender: Joan W. Scott’s critical feminism. Bloomington: Indiana University Press, 2011.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero, 2011 (20 ago. 2013).

CARNEIRO, Aparecida Sueli. Mulheres em movimento. Revista Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 117-132, 2003 <10.1590/S0103-40142003000300008>.

COLLINS, Patricia Hill. Black feminist thought. New York: Routledge, 2000.

CONNELL, Raewyn; PEARSE, Rebecca. Gênero: uma perspectiva global. São Paulo: NVersos, 2015.

COOK; Rebecca; DINIZ, Debora. Estereótipos de gênero nas cortes internacionais – um desafio à igualdade: entrevista com Rebecca Cook. Revista de Estudos Feministas, v. 19, n. 2, p. 451-462, 2011 <10.1590/S0104-026X2011000200008>.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

ESPINOSA-MIÑOSO, Yuderkys. Una crítica descolonial a la epistemología feminista crítica. El Cotidiano, marzo-abril, 2014.

FONSECA, Livia Gimenes Dias da. Despatriarcalizar e decolonizar o estado

brasileiro – um olhar pelas políticas públicas para mulheres indígenas. Brasília, 2016. Tese de doutorado, Programa de Pós-Graduação em Direito, Universidade de Brasília,

GARGALLO, Francesca. Feminismos desde Abya Yala: ideas y proposiciones de las mujeres de 607 pueblos en nuestra América. Ciudad de México: Editorial Corte y Confección, 2014 (15 jan. 2016).

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje – Anuário de Antropologia, Política e Sociologia. São Paulo: Anpocs, 1984. p. 223-244.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano. Revista Isis Internacional, v. 9, p. 133-141, 1988.

HARRIS, Angela P. Race and essentialism in feminist legal theory. Stanford Law Review, v. 42, n. 3, p. 581-616, 1990 <10.2307/1228886>.

hooks, bell. Ain’t I a woman. London: Pluto Press, 1981.

hooks, bell. Yearning: race, gender, and cultural politics. Cambridge: South End Press, 1990.

hooks, bell. Intelectuais negras. Revista de Estudos Feministas, v. 3, n. 2, p. 464-478, 1995.

hooks, bell. Feminism is for everybody. Cambridge: South End Press, 2000.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Identidade de gênero e políticas de afirmação identitária. In: Abeh. Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero. Salvador, 2012.

JESUS, Jaqueline Gomes de; ALVES, Hailey. Feminismo transgênero e movimentos de mulheres. Cronos: Revista do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da UFRN, v. 11, n. 2, p. 8-19, 2010.

LIMA COSTA, Claudia de. Feminismos descoloniais para além do humano. Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 929-934, 2014 <10.1590/S0104-026X2014000300012>.

LOURO, Guacira Lopes. O corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

LUGONES, Maria. Rumo a um feminismo decolonial. Revista de Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014 <10.1590/S0104-026X2014000300013>.

MACKINNON, Catharine. Feminism unmodified: discourses on life and law. Harvard: Harvard Universoty Press, 1987.

MCCLINTOCK, Anne. Couro imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Campinas: Unicamp, 2010.

MENDOZA, Breny. La epistemología del sur, la colonialidad del género y el feminismo latino-americano. In: Yuderkys Espinosa Minoso (org.). Aproximaciones críticas a las prácticas teórico-políticas del feminismo latinoamericano. Buenos Aires: En la Frontera, 2010. p. 19-36.

OYEWÙMÍ, Oyèrónké. Conceptualizing gender: the eurocentric foundations of feminist. Concepts and the challenge of african epistemologies. Codesria Gender Series, v. 1, p. 1-8, 2004.

OYEWÙMÍ, Oyèrónké. The invention of women: making an African sense of Western gender discourses. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997.

PELÚCIO. Larissa. Subalterno quem, cara pálida? Apontamentos às margens sobre pós-colonialismos, feminismos e estudos queer. Contemporânea – Revista de Sociologia da Ufscar, v. 2, n. 2, p. 395-418, 2012.

PEREIRA, Pedro Paulo Gomes. Queer decolonial: quando as teorias viajam. Contemporânea – Revista de Sociologia da Ufscar. v. 5, n. 2, p. 411-437, 2015.

PERRA, Hija de. Interpretações imundas de como a teoria queer coloniza nosso contexto sudacal, pobre de aspirações e terceiro-mundista, perturbando com novas construções de gênero aos humanos encantados com a heteronorma. Revista Periódicus, v. 1, n. 2, p. 1-8, 2014.

SALIH, Sara. Judith Butler e a teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.

SCOTT, Joan W. Gender: still a useful category of analysis? Diogenes, v. 57, n. 1, p. 7-14, 2010 <10.1177/0392192110369316>.

SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, v. 15, n. 2, p. 5-22, 1990.

SCOTT, Joan W. Unanswered questions. The American Historical Review, v. 113, n. 5, p. 1422-1430, 2008 <10.1086/ahr.113.5.1422>.

SCOTT, Joan W. Os usos e abusos do gênero. Projeto História, n. 45, p. 327-351, 2012.

SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES (Online), v. 18, p. 1-5, 2012 <10.4000/eces.1533>.

SEGATO, Rita Laura. Género, política e hibridismo en la transnacionalización de la cultura yoruba. In: Rita Laura Segato, Las estructuras elementales de la violencia. 2. ed. Buenos Aires: Prometeo, 2013a. p. 221-248.

SEGATO, Rita Laura. Inventando a natureza: família, sexo e gênero nos Xangôs de Recife. Anuário Antropológico, n. 85, 1986.

SEGATO, Rita Laura. La crítica de la colonialidad en ocho ensayos: y una antopología por demanda. Buenos Aires: Prometeo, 2015.

SEGATO, Rita Laura. Santos e daimones: o politeísmo afro-brasileiro e a tradição Arquetipal. 2. ed. Brasília: EDUnB, 2005.

SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1983.

STRATHERN, Marilyn. O gênero da dádiva: problemas com as mulheres e problemas com a sociedade na Melanésia. Campinas: Unicamp, 2006.

VERGUEIRO, Viviane. Por inflexões decoloniais de corpos e identidades de gênero inconformes: uma análise autoetnográfica da cisgeneridade como normatividade. Salvador, 2015. Dissertação de mestrado. Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, Universidade Federal da Bahia.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2018.1.28209

Direitos autorais 2018 Civitas - Revista de Ciências Sociais

ISSN-L: 1519-6089  -  e-ISSN: 1984-7289

Civitas - Revista de Ciências Sociais

....................................................................................................................................................................................................

Este periódico é membro do Cope (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios. http://www.publicationethics.org


Licença Creative Commons
Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

Políticas editoriales de revistas científicas brasileñas. Disponibilidad de depósito: Azul .

Copyright: © 2006-2020 Edipucrs