O conceito de angústia entre Max Weber e Peter L. Berger

Carlos Henrique Pissardo

Resumo


O artigo visa a discutir como o conceito de angústia atua na interseção entre certo momento da obra de Peter L. Berger e a tese central de A ética protestante, de Max Weber. Pretende-se, por um lado, perscrutar como Berger recorre a esse conceito a fim de analisar atributos determinantes do trabalho de construção social da realidade e da insistente sombra que acompanha esse trabalho na forma daquilo que o autor denomina de “crise de sentido”. Por outro, busca-se enfatizar como esse estado de crise de sentido, vinculado por Berger à angústia, guarda proximidade com a tese desenvolvida por Weber em seu trabalho mais conhecido, onde o indivíduo moderno típico-ideal, isto é, o calvinista, é descrito como um sujeito angustiado porque também atravessado por um peculiar malogro em seu intento de dotar a vida de um sentido unívoco. Por fim, em um trabalho de cotejamento, analisam-se os deslocamentos e reformulações teóricas que impedem uma identificação ingênua entre os dois projetos. Objetiva-se, assim, trazer à tona um capítulo pouco estudado da relação entre a sociologia fenomenológica e as teorias de Max Weber.


Palavras-chave


Weber. Berger. Crise de sentido. Angústia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2017.3.27056

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