“Fluxos e fronteiras”: mapeando o pentecostalismo brasileiro em Portugal

Paulo Gracino de Souza Junior

Resumo


Este artigo traça alguns percursos da expansão das igrejas pentecostais brasileiras em direção ao território português, analisando a assimetria no número de denominações e fiéis entre as regiões portuguesas, defendendo a tese de que certas conformações socioculturais mostram-se refratárias à implantação e limitam o crescimento das igrejas pentecostais. Assim, mais que se concentrar nos fluxos transnacionais e nas estratégias de religiões nascidas no Brasil para se estabelecer no exterior, este trabalho trata das contestações e das resistências vernaculares a esses fluxos. Para esta análise, utilizamos um duplo expediente metodológico: quantitativo, em que foram utilizados dados provenientes principalmente do censo português, e qualitativo, centrado sobretudo em depoimentos orais e análise de textos de jornais e revistas.

Palavras-chave


Transnacionalização religiosa. Pentecostalismo em Portugal. Culturas locais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2014.3.16390

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