Luso(A)fonias. Memórias cruzadas sobre o colonialismo português

Rosa Cabecinhas

Resumo


Neste artigo revisitamos um conjunto de estudos sobre as representações sociais da história nacional realizados junto de jovens em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Em cada um desses países foram recolhidos dados com vista a examinar as representações sociais da história nacional e as emoções associadas aos acontecimentos considerados mais marcantes, entre os quais se destacaram os referentes ao processo de colonização e as guerras de libertação. Os resultados apontam para ambiguidades, ambivalências e contradições nas representações sociais da história que “liga” os países de língua oficial portuguesa. De um modo geral, observa-se um “desencontro” das memórias sobre o passado colonial. Esse desencontro das memórias sobre o “passado comum” é particularmente evidente quando comparamos as memórias históricas de jovens angolanos e de jovens portugueses: enquanto os participantes portugueses destacam os descobrimentos os participantes angolanos destacam a escravatura, o tráfico de escravos e os massacres. Tomando de empréstimo a expressão de Mia Couto (2009), globalmente os resultados espelham Luso(A)fonias e demonstram o quão desafiante é a escuta ativa de outras fonias.


Palavras-chave


Memória social. Colonialismo. Luso(A)fonias.

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