O corpo que se manifesta na imagem

Dúnya Pinto Azevedo

Resumo


O presente artigo propõe uma reflexão sobre as fotografias produzidas pelo coletivo Mídia Ninja das manifestações em protesto contra o assassinato de Marielle Franco – vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL – no dia 14 de março de 2018, na região central da cidade. Em momentos de luto como esse, os corpos se colocam nas manifestações como barreiras para o avanço de abusos e como defesa de seus direitos. Tendo como base as investigações do filósofo e historiador da arte Georges Didi-Huberman a respeito das imagens e gestos dos levantes, interrogo sobre a potência dos corpos que aparecem nas imagens fotojornalísticas. Também, partindo da proposição de W. J. T. Mitchell, procuro pensar as fotografias do levante que pedem justiça por Marielle Franco a partir de um deslocamento do poder para o desejo.


Palavras-chave


Marielle Franco. Levantes. Gestos. Imagem.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2019.1.31270

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e-ISSN: 1980-864X | ISSN-L: 0101-4064


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