O protagonismo midiático da multidão nos movimentos sociais

Eduardo Cintra Torres

Resumo


A importância adquirida por movimentos sociais e pela sua expressão multitudinária e midiática na vida política e social de países como o Egito, a Tunísia, o Brasil, a Turquia ou a Ucrânia é aceita com unanimidade pelos analistas na imprensa e nos estudos acadêmicos. Este artigo pretende refletir sobre aspectos que, todavia, não parecem estar devidamente identificados e estabelecidos: o momento de multidão como, ainda e sempre, o ponto de viragem no impacto de um movimento social; a relevância da multidão para além do eventual fracasso dos objetivos que a motivaram; a explicação da manutenção da importância das midias “tradicionais” na era da Internet e das redes sociais eletrônicas; a filiação histórica das principais características do fenômeno multitudinário e o acento correto no que é realmente novo, caso do marcado empoderamento do indivíduo em algumas multidões contemporâneas, como as do Brasil em 2013, e a fluidez do ativismo nas democracias desenvolvidas.


Palavras-chave


movimentos sociais; multidão; sociologia das mídias; redes sociais electrônicas

Texto completo:

PDF

Referências


ANDERSON, Benedict. Imagined Communities. Londres: Verso, 1991.

ASWANY, A. A. O Estado do Egito. O que tornou a revolução possível. Lisboa: Quetzal, 2011.

BAUDRILLARD, Jean. À l'ombre des majorités silencieuses. Paris: Éditions Denoël/ Gonthier, 1982.

BORCH, Christian. The Politics of Crowds. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.

BOUGNOUX, Daniel. La crise de la représentation. Paris: La Découverte, 2006.

CARDOSO, Gustavo; DI FÁTIMA, Branco. Movimento em Rede e Protestos no Brasil: Qual Gigante Acordou? In: Revista Eco- Pós. Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 143-176, maio/ago. 2013. Disponível em: . Acesso em: 03 jul. 2014.

CASTELLS, Manuel. Communication Power. Oxford: Oxford University Press, 2009. ______. Networks of Outrage and Hope. Cambridge: Polity, 2013.

CHAMPAGNE, Patrick. Faire l'opinion. Paris: Les Éditions de Minuit, 1990.

CHIAROMONTE, Alessandro. Party-System Volatility, Regeneration and De- Institutionalization in Western Europe (1945-2015). In: Party Politics, 2015. p. 1-13. Disponível em: . Acesso em: 06 Abr. 2016

COOLEY, Charles Horton. Democracy and Crowd Excitement. Social Organization, Nova York: Charles Scribner's Sons, 1909. p. 149-156.

DELLA PORTA, Donatella; DIANI, Mario. Los Movimientos Sociales. Madrid: Editorial Complutense, 2011.

ELTANTAWY, N.; WEST , J. B. Social Media in the Egyptian Revolution: Reconsidering Resource Mobilization Theory. In: International Journal of Communication, v. 5, p. 1207-1224, 2011.

FILLIEULE, Olivier; MATHIEU, Mathieu; PÉCHU, Cécile (Dir.). Dictionnaire des mouvements sociaux. Paris: Sciences Po. Les Presses, 2009.

FILLIEULE, Olivier; PÉCHU, Cécile. Lutter ensemble. Paris: L'Harmattan, 2014.

FILLIEULE, Olivier; TARTAKOWISKY, Danielle. La manifestation. Paris: Sciences Po. Les Presses, 2008.

FILLIEULE, Olivier; AGRIKOLIANSKY, Éric; SOMMIER, Isabelle (Dir.). Penser les mouvements sociaux. Paris: La Découverte, 2010.

FISHMAN, Robert M. Democratic Practice after the Revolution: The Case of Portugal and Beyond. In: Politics & Society, v. 39, n. 2, p. 233-267, 2011. http://dx.doi. org/10.1177/0032329211405439

FOMINAYA, Cristina Flesher. The Madrid Bombings and Popular Protest: misinformation, Counter-Information, Mobilisation and Elections after '11-M'. In: DRURY, John; STOTT Clifford (Ed.). Crowds in the 21st Century. Londres: Routledge, 2011. p. 17-35.

GHONIM, Wael. Revolution 2.0. Boston, Ms: Houghton Mifflin Harcourt, 2012.

GITLIN, Todd. The Whole World is Watching. Berkeley, CA: University of California Press, 2003.

GITLIN, Todd. Occupy Nation. Nova York: Harper Collins, 2012.

GLADWELL, Malcolm. The Tipping Point. Little: Brown, 2000.

GOODWIN, Jeff; JASPER, James M.; POLETTA, Francesca (Ed.). Passionate Politics. Chicago; Londres: Chicago University Press, 2001.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão. Porto: Campo das Letras, 2005.

KATZ, Eliuh; LAZARSFELD, Paul. Personal Influence. Nova York: The Free Press, 1955.

KOOPMANS, Ruud. Movements and Media: Selection Processes and Evolutionary Dynamics in the Public Sphere. In: Theory and Society. v. 33, n. 3-4, p. 367-391, 2004.

LIMA, Fernando. O Meu Tempo com Cavaco Silva. Lisboa: Bertrand, 2004.

MATHIEU, Lilian. La démocracie protestataire. Paris: Sciences Po. Les Presses, 2011.

MCCLELLAND, J. S. The Crowd and the Mob. Londres: Unwin Hyman, 1989.

NEVEU, Érik. Médias et protestation collective. In: FILLIEULE, Olivier;AGRIKOLIANSKY Éric; SOMMIER, Isabelle (Dir.). Penser les mouvements sociaux. Paris: La Découverte, 2010. p. 245-264.

NEVEU, Érik. Sociologie des mouvements sociaux. Paris: La Découverte, 2011. Noelle -Neumann , E. The Spiral of Silence. Chicago: Chicago University Press, 1975.

NUNNS, A.; IDLE, N. Tweets from Tahrir. New York: OR Books, 2011. Disponível em: . Acesso em: 02 jul. 2014.

ROSANVALLON, Pierre. La contre-démocracie. Paris: Seuil, 2006.

SCHNAPP, Jeffrey T.; TIEWS, Matthew (Ed.). Crowds. Stanford, CA: Stanford University Press, 2006.

SIMMEL, Georg. On Individuality and Social Forms. Chicago;

Londres: The University of Chicago Press, 1971.

SOLÉ, Jacques. Révolutions et révolutionnaires en Europe, 1789-1918. Paris: Gallimard, 2008.

SOLHA, Hélio L. A Media e as manifestações de junho: controle e disputa. 2013. In: HAROCHE, Claudine; LOPES Myriam Bahia; DÉLOYE, Yves (Org.). Ensaios sobre a arrogância. Belo Horizonte: NEHCIT/EA UFMG, 2015. p. 72-82.

SOMMIER, Isabelle. Le renouveaux des movements contestataires à l'heure de la mondialisation. Paris: Flammarion, 2003.

TARDE, Gabriel. A Opinião e as Massas. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

TILLY, Charles. The Politics of Collective Violence. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.

TILLY, Charles; WOOD, Lesley J. Social Movements: 1768-2008. Boulder, Londres: Paradigm, 2009.

TILLY, Charles; TARROW, Sidney. Contentious Politics. Oxford: Oxford University Press, 2007.

TÖNNIES, Ferdinand. Comunidad y Asociación. Barcelona: E. Península, 1979.

TORRES, Eduardo Cintra. Representações da Multidão Política na Televisão. In: Freire FILHO, João; BORGES, Gabriela (Eds.). Estudos de Televisão. Porto Alegre: Sulina, 2011. p. 149-180.

TORRES, Eduardo Cintra. A Multidão e a Televisão. Representações Contemporâneas da Efervescência Colectiva. Lisboa: Universidade Católica Editora. 2013a.

______. Durkheim's Concealed Sociology of the Crowd. In: Durkheimian Studies, British Centre for Durkheimian Studies, University of Oxford, v. 20, n. 1 (26), p. 89-114, Winter 2014. Disponível em: . Acesso em: 06 abr. 2016.

______. A Multidão Medieval e Moderna: Representações Políticas em Fernão Lopes e D. Francisco Manuel de Melo. In: SILVA, Pedro Alcântara da; SILVA, F. Carreira da (Org.). Ciências Sociais: Vocação e Profissão. Lisboa: ICS, 2013b. p. 95-116.

______. Representação Ficcional da Greve Geral e da Multidão Operária no Porto em 1903. In: LOURENÇO, A. A; SANTANA, M. Helena; SIMÕES, M. João (Coord.). O Século do Romance. Coimbra: Centro de Literatura Portuguesa, 2013c. p. 75-87.

______. An Early Example of Media, Social Movements and Crowd Interaction: The Oporto General Strike of 1903. In: TORRES, Eduardo Cintra; MATEUS, Samuel (Ed.). From Multitude to Crowds: Collective Action and the Media. Frankfurt: Peter Lang Ed., 2015. p. 111-141.

TURNER, Ralph H.; KILLIAN, Lewis M. Collective Behavior. 3. ed. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall. 1987.

VV.AA. Cidades Rebeldes. S.l: Carta Maior e Boitempo. 2013. Disponível em: . Acesso em: 01 jul. 2014.

WOUTERS, Ruud. From the Street to the Screen: Characteristics of Protest Events as Determinants of Television News Coverage. In: Mobilization, v. 18, n. 1, p. 83-105, 2013.

ZOLA, Émile. Germinal. Paris: Gallimard. 1978. Recebido: 09 de março de 2016




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2016.3.23604

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

ATENÇÃO

Sistema em manutenção

Migração do sistema OJS para a versão 3.0. Durante este período os usuários:

  • Poderão acessar todo o conteúdo já publicado
  • Não poderão efetivar encaminhamentos do fluxo editorial (submissão, avaliação, publicação)

Previsão: 06/07/2020


e-ISSN: 1980-864X | ISSN-L: 0101-4064


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.