O Aurélio era preto: trabalho, associativismo e capital relacional na trajetória de um homem pardo no Brasil Imperial e Republicano

Paulo Staudt Moreira

Resumo


Este artigo analisa as inserções profissionais e associativas de um homem negro, durante o Império e primeiros anos da República, no Brasil, percebendo as posições ocupadas por ele em redes sociais e políticas que lhe possibilitaram ascensão e prestígio. Percebemos que Aurélio Viríssimo de Bittencourt constituiu uma autorrepresentação étnico-racial de pardo, percebendo-se como equidistante do mundo dos brancos e do cativeiro, mundos esses nos quais convivia e circulava. O seu pertencimento racial e social pode ter lhe colocado alguns obstáculos, mas também deu-lhe um posicionamento ambivalente de mediador entre diferentes grupos étnicos e sociais.

Palavras-chave


Escravidão. Educação. Irmandades.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-864X.2014.1.16504



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