Enfrentamentos e silenciamentos dos professores iniciantes na carreira universitária: um estudo com duas instituições públicas do Rio Grande do Sul

Andressa Wiebusch, Fernanda Fátima Cofferri, Gionara Tauchen

Resumo


Este artigo tem por objetivo analisar como professores iniciantes, atuantes em duas universidades públicas do Estado do Rio Grande do Sul, vivenciaram o início da profissão, visando compreender os enfrentamentos e os silenciamentos produzidos no desempenho das atividades acadêmicas. A metodologia da pesquisa é qualitativa, sendo organizada por meio dos dados provenientes de entrevistas semiestruturadas realizadas com 14 professores iniciantes de duas universidades públicas: a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para a interpretação dos dados, optamos pela Análise de Conteúdo de Minayo (2010). Como resultados, evidenciamos que os professores sentem-se inseguros no desenvolvimento das atividades de ensino, pressionados pelas demandas da produção científica e inaptos para atuarem na gestão universitária. Para lidar com os cenários desafiadores, os professores desenvolvem estratégias de resiliência, como o desenvolvimento da autoestima, o diálogo com colegas e a reflexão sobre a prática docente. Concluímos que as universidades precisam incluir processos e programas de formação pedagógica nos planos de desenvolvimento institucional, aliando iniciativas de auto e ecoformação; integrar as ações de recepção e de adaptação dos professores entre as pró-reitorias e as unidades acadêmicas, bem como criar espaços formativos para o desenvolvimento de competências profissionais vinculadas ao desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão.  


Palavras-chave


Professor Iniciante. Universidade. Formação Docente. Resiliência.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1981-2582.2019.3.30124

ISSN-L: 0101-465X | e-ISSN: 1981-2582


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